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Economista diz que redes sociais criam desejos de consumo além da renda

Laura Carvalho associa consumo aspiracional nas redes sociais ao descontentamento econômico sob Lula, destacando desigualdade e a necessidade de taxação de riqueza

Laura Carvalho acredita que a mudança nos anseios de consumo da população é um dos fatores por trás do descontentamento dos brasileiros com a economia
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  • Mesmo com desemprego baixo e crescimento econômico, 44% dos brasileiros avaliam que a economia piorou nos últimos 12 meses, segundo a pesquisa Genial/Quaest de junho.
  • Laura Carvalho e Guilherme Klein Martins defendem que o descompasso entre resultados macro e percepção vem de inflação persistente, comparação com o período de mobilidade social dos anos 2000, mudanças nos desejos de consumo impulsionadas pelas redes sociais e frustração de uma geração escolarizada sem empregos compatíveis.
  • O consumo aspiracional, potencializado pelas redes sociais, amplia desejos de classes mais altas e pode sustentar insatisfação mesmo com ganhos de renda.
  • Para reverter o quadro, apontam necessidade de mais crescimento, redistribuição de renda e expansão de serviços públicos, aliados a uma agenda de tributação que inclua taxação de riqueza.
  • A discussão também envolve a dívida pública e a concentração de riqueza, com a sugestão de melhorar eficiência do gasto, reduzir gastos tributários e promover uma agenda industrial que absorva a população escolarizada.

O que acontece

A economista Laura Carvalho, professora da FEA-USP, analisa o descompasso entre resultados macroeconômicos e percepção da população sobre a economia no terceiro mandato de Lula. Ela destaca inflação persistente, mudanças nos desejos de consumo e frustração de uma geração escolarizada sem empregos compatíveis.

Quem está envolvido

Carvalho atua na USP e integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão de Lula. O estudo citado é o artigo Paradoxos do Lulismo, escrito com o marido Guilherme Klein Martins, professor da UFRJ.

Quando e onde

As reflexões foram apresentadas em entrevista à BBC News Brasil, publicada em julho de 2026, com base em dados de pesquisas recentes no Brasil.

Por que isso importa

A pesquisadora aponta quatro fatores centrais para explicar o desalinhamento entre crescimento econômico e percepção pública: inflação, comparação com o ciclo de mobilidade social dos anos 2000, mudanças nos desejos de consumo alimentadas pelas redes sociais e a frustração de uma geração com formação superior que não encontra empregos condizentes com seu nível de escolaridade.

O que mudou desde os anos 2000

Carvalho afirma que, nos governos Lula 1 e 2, boa parte da melhoria de vida ocorreu pela ascensão da classe média e pela inclusão no consumo. Hoje, essa mesma parcela demanda padrões de consumo mais complexos e menos satisfeitos com o que foi alcançado.

Como as redes sociais influenciam o consumo

A estudiosa explica que as plataformas digitais expõem padrões de consumo de classes mais ricas de forma rápida e global, levando a aspirações homogêneas e, muitas vezes, a sentimentos de insatisfação entre parcelas da população.

Qual é o papel da desigualdade

Segundo Carvalho, a desigualdade persiste no topo da pirâmide, mesmo com avanços na base. Ela defende avanços na taxação de riqueza e na redução da concentração de renda para sustentar um ciclo de prosperidade mais amplo.

A dívida pública e a distribuição de renda

A pesquisadora aponta que juros elevados, alimentados pela dívida pública, tendem a transferir renda para os detentores de ativos de alto patrimônio, contribuindo para a desigualdade. Ela assegura que esse custo distributivo precisa ser debatido.

Como avançar para um novo ciclo de prosperidade

Entre as propostas, Carvalho argumenta por expansão de serviços públicos de qualidade, melhoria da educação e uma agenda de tributação que inclua gastos tributários. A ideia é ampliar a eficiência do gasto e reduzir a desigualdade sem elevar excessivamente as taxas de juros.

Emprego, educação e IA

Ela observa um descompasso entre diplomas universitários e empregos oferecidos, com muitos trabalhadores qualificados em funções de baixa remuneração. A IA é mencionada como fator que pode moldar o mercado, embora não seja visto como o principal motor.

Soluções presentes no debate público

A economista sugere continuidade de reformas que tornem o sistema educacional e produtivo mais alinhado com oportunidades reais, conectando indústria, universidades e serviços, além de políticas industriais que estimulem setores com potencial de crescimento.

Conclusão

Carvalho frisa a necessidade de um ciclo econômico mais longo, com redistribuição de renda e melhoria dos serviços públicos para elevar o bem-estar de toda a população, sem promover julgamentos de valor sobre decisões políticas.

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