- O câmbio de cenários com inflação alta nos EUA elevou juros por lá, reduzindo o apetite internacional por ações brasileiras e levando analistas a revisarem as perspectivas do Ibovespa para 2026.
- Pesquisa do Bank of America com gestores no Brasil mostra que apenas 31% acreditam que o Ibovespa ficará acima de 190 mil pontos em 2026, frente a 66% na leitura anterior.
- A XP revisou o fim de 2026 para 200 mil pontos, de 205 mil, reduzindo o potencial de valorização do Ibovespa de 18% para 15%.
- Fluxo externo virou negativo: de abril até junho os estrangeiros resgataram R$ 36 bilhões, R$ 15 bilhões e R$ 9 bilhões, respectivamente, totalizando R$ 33 bilhões no ano, contra R$ 69 bilhões em abril.
- Analistas passaram a favorecer ações defensivas e pilares de geração de caixa, com foco em bancos, energia, saneamento, petróleo e empresas com balanços mais estáveis, como Vale e Petrobras.
Em um cenário de maior incerteza, analistas revisaram metas para a Bolsa brasileira neste segundo semestre. A alta da inflação nos EUA elevou a expectativa de juros por lá, o que atraiu recursos internacionais e reduziu a demanda por ações brasileiras, elevando a cautela.
Segundo o levantamento mensal do Bank of America (BofA) com gestores que atuam no Brasil, apenas 31% esperam que o Ibovespa feche 2026 acima de 190 mil pontos, ante 66% na edição anterior. O recuo sinaliza mudança de humor no mercado.
A XP reduziu a projeção de fim de 2026 para o Ibovespa, de 205 mil para 200 mil pontos. A instituição também ajustou o potencial de valorização do índice, de 18% para 15% até o fim do ano. O desvio reflete cenário desafiador de juros e inflação.
> O Brasil já entrou em regime de Inflação Alta e deve migrar para Juros em Alta nos próximos meses, segundo o modelo macro da XP.
Perspectiva de mercado
Mesmo com alta prevista até o fim do ano, o Ibovespa pode ficar aquém dos recordes de 2026. Entre janeiro e abril, o índice atingiu 198.657 pontos, mas desde então caiu, chegando a próximos de 169 mil em pregões. A recuperação permanece incerta.
Bruno Henriques, do BTG Pactual, aponta que inflação acima da meta limita cortes de juros no Brasil. Também cita alta de gastos do governo e expectativa de alta de juros nos EUA como fatores que elevam as taxas reais de longo prazo, pressionando o mercado.
Fluxo externo e valuation
O interesse estrangeiro caiu desde a máxima de abril, com resgates de 36 bilhões de reais no período, 15 bilhões em maio e 9 bilhões em junho. O total de investimentos estrangeiros neste ano fica em 33 bilhões, frente a 69 bilhões até abril.
Para o BB Investimentos, o valuation atual continua atraente entre mercados emergentes, mas não basta para sustentar alta sem fluxo externo e cenário macro estável. A casa ressalta necessidade de compressão de prêmios de risco e recuperação de kapitais estrangeiros.
Seletividade e posicionamento
Mesmo diante do cenário, a bolsa brasileira permanece barata historicamente e versus pares emergentes. Analistas destacam maior seletividade, com foco em empresas com balanços fortes, geração de caixa estável e menor sensibilidade a juros domésticos.
Trechos das carteiras destacam defensivas em evidência. Bancos, energia, saneamento, consumo básico, Vale e Petrobras aparecem entre as favoritas para atravessar o segundo semestre.
Movimentações de carteiras
BTG Pactual adicionou Ambev e Allos a uma lista de ativos que já inclui Embraer, Itaú, Totvs, Eneva, Axia, Cury, Motiva, entre outros. A recomendação privilegia teses com geração de caixa previsível em setores estáveis.
BB Investimentos reforça postura seletiva, com foco em companhias de receita diversificada e boa geração de caixa. Entre as recomendações aparecem Alupar, Axia, Embraer, Itaú, Petrobras, Vale e outras.
XP mantém foco em defensivas ou empresas vinculadas a commodities, com recomendações em Petrobras, Vale, Gerdau, Itaú e outras. Santander Brasil também prioriza ações estáveis, como utilities, bancos e geração de caixa.
Matheus Spiess, da Empiricus, reforça a busca por previsibilidade, qualidade e proventos, destacando utilidades públicas, bancos e setores com maior visibilidade de cash-flow.
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