- Em doze meses até março de dois mil e vinte e seis, havia 109,2 mil trabalhadores com contrato intermitente, saldo 17,3% maior que no período anterior.
- No primeiro trimestre de dois mil e vinte e seis, intermitentes representaram 3,5% do total de empregados com carteira assinada.
- O setor de serviços concentra a maior parte dessa contratação: 79.599 intermitentes, ou 74,9% do saldo, seguido por construção civil (10,2%), indústria (7,5%) e comércio (7,3%).
- A possível aprovação da escala 5×2 deve incentivar a adoção desse regime, segundo pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre).
- Restaurantes, serviços e empresas de entrega já recorrem aos intermitentes para enfrentar sazonalidade e reduzir custos, com casos de negócios do setor citados no texto.
Nos últimos meses, o trabalho intermitente ganha força no Brasil. Trata-se de contrato em que profissionais são chamados por dias ou horas, mantendo vínculo formal e direitos proporcionais. O tema ganhou destaque com a possível aprovação da escala 5×2 no Senado.
Segundo estudo do FGV/Ibre, havia 109,2 mil trabalhadores nessa modalidade em 12 meses até março, alta de 17,3% frente ao período anterior. Nos últimos 12 meses até março de 2026, estes intermitentes responderam por 8,9% do saldo do emprego formal no País.
O regime foi criado na reforma trabalhista de 2017, durante o governo de Michel Temer. Empresários veem a flexibilidade como força para contratações, sobretudo diante da eventual mudança da escala 6×1 para 5×2 e do aumento de custos.
Em relação ao peso no emprego formal, o saldo de intermitentes chegou a 3,5% no primeiro trimestre deste ano, índice que praticamente dobrou desde 2017, quando era 1,6%. O estudo usa microdados do Caged para chegar a esses números.
Sazonalidade impulsiona intermitentes no setor de serviços
O setor de serviços concentra a maior parte dos intermitentes, com 79.599 trabalhadores, equivalente a 74,9% do total em 12 meses até março. Construção, indústria e comércio respondem, juntos, por cerca de 25% do saldo.
Essa dominance do serviço decorre da sazonalidade da demanda, com horários e dias variáveis. Além disso, a modalidade oferece proteção formal frente a trabalhos informais ou freelancers, especialmente em atividades como limpeza e alimentação.
Restaurantes e bares são apontados como grandes utilizadores do contrato, para enfrentar picos de demanda aos fins de semana. Empresários veem na intermitência uma forma de equilibrar custos com flutuações de movimento.
Apoio institucional para a intermitência também aparece entre empresários que já adotam o regime para motoboys e entregas. Em cidades menores, a demanda por entrega tem atraído trabalhadores interessados em renda extra.
Perfil do trabalhador intermitente
O trabalhador intermitente no Brasil é, em sua maioria, homem, atua no setor de serviços e tem entre 18 e 24 anos. A escolaridade é, em geral, ensino médio completo ou superior incompleto, representando mais de 75% dos casos desde 2022.
Mais recentemente, observa-se presença de profissionais com mais de 40 anos, representando cerca de 30% do total em março deste ano. Esse movimento está ligado ao envelhecimento da população e à busca por renda adicional após longos períodos em regime tradicional.
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