- Professora Edmar Sonia Vieira, 48 anos, recebeu de um aluno de 17 anos uma esponja de aço como “presente” de Dia das Mulheres; o ato foi gravado e viralizou nas redes.
- O episódio ocorreu no Centro de Ensino Médio 9, em Ceilândia, Distrito Federal, e o caso é investigado pela Polícia Civil; a direção da escola informou que houve reunião prevista para tratar do assunto e que o aluno deverá fazer um pedido de desculpas por escrito, lido em sala.
- A professora reagiu com calma ao ocorrido; só percebeu a gravidade após as risadas dos colegas e o apoio de duas alunas que se solidarizaram com ela.
- O caso gerou repúdio da Secretaria de Educação e do Sindicato dos Professores do Distrito Federal; houve manifestações políticas e a Comissão de Direitos Humanos questionou medidas para evitar novos episódios.
- Edmar pretende usar a experiência para promover debates em sala sobre misoginia e racismo, com foco em educação, e não planeja tomar medidas legais no momento.
Edmar Sonia Vieira, professora de português de 48 anos, relatou pela primeira vez o ataque racista e misógino ocorrido em Ceilândia, no Distrito Federal. O episódio ganhou repercussão após vídeo em que recebe como presente uma esponja de aço de um aluno do 3º ano do Ensino Médio viralizar nas redes.
O ato ocorreu durante uma aula, quando o aluno de 17 anos entregou a esponja dentro de uma sacola preta com o embrulho da peça. A professora recebeu o objeto sob risos de colegas e alunos, ouvindo comentários que a descreveram como uma homenagem. Em seguida, a docente manteve a postura profissional, recebendo apoio de alguns estudantes.
Segundo Edmar, só houve compreensão do que havia acontecido após as risadas e o relato de duas alunas que presenciaram o episódio. Elas manifestaram que estavam incomodadas com a situação e a professora decidiu acalmar a turma e planejar ações educativas para tratar o tema.
A Secretaria de Educação do DF repudiou o episódio e o Sindicato dos Professores também se posicionou, destacando que casos como esse refletem o tratamento dado a docentes. A Polícia Civil abriu investigação sobre o racismo e misoginia presentes no ocorrido.
A direção da escola informou que os responsáveis foram avisados e que haverá reunião entre o aluno e a professora, com um pedido de desculpas por escrito a ser lido em sala. A professora afirmou que já houve algumas retratações formais e que não decidiu encaminhar o caso à Justiça.
No dia seguinte ao ocorrido, a comunidade escolar e familiares entraram em contato com Edmar, com demonstrações de apoio. Um aluno chegou a entregar uma caixa de chocolate como forma de demonstrar arrependimento. O professor também recebeu mensagens de solidariedade de colegas e comunidade.
Em entrevista à imprensa, Edmar explicou que, após o fato, passou a refletir sobre seu papel como educadora e sobre a necessidade de discutir questões de machismo, racismo e suas expressões na sociedade. Ela planeja transformar a experiência em um projeto pedagógico para estimular o debate entre os estudantes.
A docente destacou ainda que manteve o foco na educação como ferramenta de mudança social. Ela vê a escola como espaço para fomentar reflexão sobre estruturas de preconceito e a importância de tratar essas discussões com responsabilidade, sem perder a neutralidade.
A investigação policial continua em andamento para esclarecer as circunstâncias do ato e eventuais medidas disciplinares ou legais cabíveis. A situação também mobilizou debates na Câmara Legislativa do DF, com questionamentos sobre conteúdos e políticas escolares para prevenir episódios similares.
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