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Territórios de cuidados garantem direitos fundamentais na América Latina e Caribe

Iniciativas em Lima e Quito buscam valorizar e redistribuir o trabalho de cuidados não remunerado, essencial para o desenvolvimento sustentável na região

Uma mulher cozinha no albergue Senda de Vida, em Tamaulipas, no dia 26 de junho de 2025. (Foto: Nayeli Cruz)
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  • O trabalho de cuidados não remunerado realizado por mulheres e meninas na América Latina e no Caribe é reconhecido, mas frequentemente ignorado nas políticas públicas.
  • Iniciativas como o mapeamento do cuidado em Lima Norte e o Sistema Integral de Cuidados em Quito buscam redistribuir essa responsabilidade.
  • Em Lima Norte, um consórcio mapeou as rotas percorridas por mulheres, revelando que elas caminham até cinco quilômetros entre serviços essenciais.
  • Em Quito, o Sistema Integral de Cuidados articula serviços para dependentes e cuidadoras, abrangendo áreas urbanas e rurais.
  • A ONU Mulheres, em parceria com a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), implementa o programa “Transformando as economias” para reconhecer e redistribuir o trabalho de cuidados na região.

A importância do trabalho de cuidados não remunerado realizado por mulheres e meninas na América Latina e no Caribe é amplamente reconhecida, mas frequentemente ignorada nas políticas públicas. Iniciativas inovadoras estão sendo implementadas em diversas cidades da região, como o mapeamento do cuidado em Lima Norte e o Sistema Integral de Cuidados em Quito, que visam redistribuir essa responsabilidade.

Milhões de mulheres e meninas sustentam a vida cotidiana, realizando tarefas essenciais como cozinhar, cuidar e educar. Esse trabalho, embora vital, é frequentemente invisibilizado e não é reconhecido como uma responsabilidade social. A ONU Mulheres tem promovido a discussão sobre a importância dos cuidados, enfatizando que eles devem ser tratados como um pilar do desenvolvimento sustentável.

Em Lima Norte, um consórcio de organizações e governos locais mapeou as rotas que as mulheres percorrem diariamente, revelando que elas caminham até cinco quilômetros entre serviços essenciais. Com essas informações, foram propostas melhorias nos serviços e na infraestrutura urbana. Em Quito, o Sistema Integral de Cuidados está articulando serviços para dependentes e cuidadoras, tanto em áreas urbanas quanto rurais.

Em Bogotá, as “manzanas do cuidado” se tornaram um modelo internacional ao integrar formação, saúde e lazer para mulheres sobrecarregadas. Essas políticas não apenas atendem mulheres em idade laboral, mas também adolescentes que enfrentam a responsabilidade de cuidar de outros, limitando suas oportunidades de educação e lazer.

Experiências transformadoras também emergem em El Salvador e Guatemala, onde lideranças comunitárias realizaram diagnósticos participativos para evidenciar a falta de serviços adequados e a informalidade no trabalho de cuidados. Essas vozes, muitas vezes excluídas, agora são protagonistas nas agendas públicas.

A ONU Mulheres, em parceria com a AECID, está implementando o programa regional “Transformando as economias”, que busca o reconhecimento e a redistribuição do trabalho de cuidados na América Latina e no Caribe. A transformação estrutural requer colaboração entre governos, organizações feministas e acadêmicos, visando um modelo de desenvolvimento que coloque os cuidados no centro das políticas públicas.

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