- O médico cubano Yaser Herrera obteve reintegração temporária ao programa Mais Médicos por decisão judicial.
- Ele enfrenta dificuldades legais e financeiras, atuando em São Paulo sem revalidação de diploma e sem contrato direto com o Ministério da Saúde.
- Herrera chegou ao Brasil em 2017, parte de um grupo de médicos cubanos, e trabalhou em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, recebendo apenas R$ 2,9 mil de um total de R$ 11,5 mil repassados ao governo cubano.
- A parceria entre Brasil e Cuba foi encerrada em 2018, levando muitos médicos, incluindo Herrera, a retornar a Cuba. Após a mudança de governo, ele e outros médicos acionaram a Justiça e conseguiram voltar ao sistema de saúde.
- O exame Revalida, que valida diplomas de medicina estrangeiros, tem baixos índices de aprovação, e as sanções dos Estados Unidos complicam a situação dos médicos cubanos, que buscam estabilidade profissional.
O médico cubano Yaser Herrera, 37 anos, obteve reintegração temporária ao programa Mais Médicos por meio de uma decisão judicial, após enfrentar dificuldades legais e financeiras. Sem revalidação de diploma e sem contrato direto com o Ministério da Saúde, ele atua em São Paulo, mas ainda vive sob incertezas.
Herrera chegou ao Brasil em 2017, parte de um grupo de 500 médicos cubanos enviados pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Lotado em uma Unidade Básica de Saúde em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, ele trabalhou por quase dois anos, recebendo apenas R$ 2,9 mil de um total de R$ 11,5 mil que o governo brasileiro repassava ao governo cubano. A diferença salarial e a ajuda de custo reduzida geraram descontentamento entre os médicos cubanos, levando a ações judiciais.
A parceria entre Brasil e Cuba foi encerrada em 2018, após críticas do então presidente Jair Bolsonaro sobre a formação dos médicos cubanos. A retirada dos profissionais foi abrupta, e muitos, como Herrera, foram forçados a voltar a Cuba. Após retornar ao Brasil, ele sobreviveu trabalhando em estética e limpeza de pele, sem poder exercer a medicina legalmente.
Com a mudança de governo e a expectativa de recontratação, Herrera e outros médicos cubanos acionaram a Justiça novamente. Após pagar cerca de R$ 12 mil em honorários, conseguiram voltar ao sistema de saúde. Atualmente, ele trabalha em Jandira, na Grande São Paulo, recebendo salário integral, mas ainda sem garantia de permanência.
O exame Revalida, que valida diplomas de medicina estrangeiros, apresenta baixos índices de aprovação, com apenas 737 dos 10,8 mil inscritos em 2024 sendo aprovados. Enquanto isso, as sanções dos Estados Unidos contra Cuba complicam ainda mais a situação dos médicos cubanos, que continuam a trabalhar sob liminares, buscando estabilidade profissional em meio a um cenário de incertezas.
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