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Falta de leis em India deixa milhões de trabalhadoras domésticas desprotegidas

Trabalhadoras domésticas na Índia lutam por direitos básicos enquanto aguardam ações efetivas após ordem do Tribunal Supremo.

Trabalhadoras domésticas celebram o Dia Internacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores Domésticos em Bangalore, Índia (Foto: Reprodução)
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  • As trabalhadoras domésticas na Índia enfrentam insegurança laboral, baixos salários e falta de proteção legal.
  • O Tribunal Supremo da Índia ordenou a criação de um comitê interministerial para discutir a proteção dos direitos dessas trabalhadoras.
  • Sangeeta M., empregada doméstica em Bangalore, relata medo de ser substituída se tirar um dia de folga.
  • Dados sobre a força de trabalho doméstica são imprecisos; a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que o número de trabalhadoras varia entre 20 e 80 milhões.
  • A ratificação do Convenio 189 da OIT, que visa garantir condições de trabalho justas, é uma demanda crescente entre as trabalhadoras.

As trabalhadoras domésticas na Índia continuam a enfrentar insegurança laboral, baixos salários e falta de proteção legal. Apesar de tentativas anteriores de legislar em favor de seus direitos, os avanços têm sido escassos. Recentemente, o Tribunal Supremo da Índia ordenou a criação de um comitê interministerial para discutir a proteção dos direitos dessas trabalhadoras, mas até agora não houve progresso significativo na implementação das medidas.

Sangeeta M., uma empregada doméstica de 30 anos em Bangalore, relata que vive com o medo constante de ser substituída se tirar um dia de folga. Ela e outras trabalhadoras enfrentam exploração, assédio sexual e condições de trabalho precárias. Dados sobre a força de trabalho doméstica são imprecisos; enquanto o governo estimava quatro milhões em 2012, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) sugeriu que o número poderia variar entre 20 e 80 milhões. Em 2024, uma nova pesquisa nacional foi realizada, mas os resultados ainda não foram divulgados.

O Tribunal Supremo expressou preocupação com a falta de regulamentação no setor, apontando que o vazio legal contribui para abusos e baixos salários. Geeta Menon, cofundadora da Stree Jagruti Samiti, destacou que a relação entre tráfico de meninas e sua colocação como empregadas domésticas foi um dos motivos para a ordem judicial. Embora algumas medidas tenham sido adotadas em estados, a falta de garantias mínimas ainda persiste.

Desafios e Reivindicações

As trabalhadoras domésticas, como Sumitra Paswan, de 56 anos, que atua em Guwahati, clamam por um plano de pensões, licença médica e um dia de folga semanal. A organização Grihokarmi Adhikar Suraksha Samiti (GASS) tem trabalhado para criar um projeto de lei estadual que aborde os direitos das trabalhadoras, mas o projeto foi retirado em março de 2023, após promessas de consideração por parte do governo.

A ratificação do Convenio 189 da OIT sobre trabalhadores domésticos é uma demanda crescente. Esse acordo visa garantir condições de trabalho justas e dignas. Além disso, a conscientização das próprias trabalhadoras sobre seus direitos é crucial, já que muitas não reconhecem seu trabalho como produtivo. Menon observa que a mentalidade feudal ainda prevalece, dificultando a valorização do trabalho doméstico.

Os sindicatos e organizações que atuam nesse setor buscam empoderar as trabalhadoras, convencendo-as da importância de defender seus direitos. A luta por melhores condições de trabalho e reconhecimento continua, enquanto o governo ainda não implementou as promessas feitas em relação à legislação trabalhista.

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