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Apenas 2,4% dos jovens pobres têm aprendizado eficaz em português e matemática

Desigualdades marcam aprendizagem no Brasil, aponta Anuário da Educação Básica 2025.

Imagem de uma sala de aula com um aluno sentado • Tânia Rîgo/Agência Brasil
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  • O Brasil enfrenta desigualdades na educação, com apenas 2,4% dos jovens do 3º ano do ensino médio dos 20% mais pobres tendo aprendizagem adequada em 2023.
  • Entre os 20% mais ricos, o índice de aprendizagem adequada chegou a 16,3%, evidenciando uma disparidade de 14 pontos percentuais.
  • O especialista André Lázaro destaca que as diferenças entre os mais ricos e os mais pobres podem chegar a 20 pontos percentuais em algumas áreas do país.
  • Lázaro aponta que a questão racial e a condição em áreas rurais são pontos de atenção para a promoção da equidade na educação.
  • Políticas afirmativas no ensino superior foram implementadas para combater a educação como uma herança de classe, permitindo que parte da população jovem negra, estudante de escola pública e pobre pudesse entrar na universidade pública.

Desigualdades na Educação Brasileira

O Brasil enfrenta um quadro estrutural de desigualdades na educação, que persiste como um problema crônico. A educação tem sido historicamente uma herança de classe, e políticas afirmativas no ensino superior foram implementadas para combater essa desigualdade. Recentemente, dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025 revelaram que apenas 2,4% dos jovens do 3º ano do ensino médio dos 20% mais pobres tiveram aprendizagem adequada em matemática e português em 2023. Em contraste, entre os 20% mais ricos, o índice chegou a 16,3%.

Desigualdade Extrema

O especialista André Lázaro destacou que as diferenças entre os mais ricos e os mais pobres são extremas, chegando a 20 pontos percentuais em algumas áreas do país. Lázaro aponta que a questão racial e a condição em áreas rurais são pontos de atenção para a promoção da equidade na educação. A população negra continua vivendo na educação desvantagens inaceitáveis para uma visão republicana, e há 5 milhões de matrículas no campo, que representam 12% das matrículas nacionais.

Políticas Afirmativas

Entre as ferramentas para combater a educação como uma herança de classe, Lázaro cita o exemplo das políticas afirmativas implementadas no ensino superior. “As cotas criaram condições favoráveis para que parte da população jovem negra, estudante de escola pública e pobre pudesse entrar na universidade pública. Isso melhorou muito o debate público, porque hoje você tem intelectuais de grande porte que foram beneficiários de cotas e são vozes importantes no debate nacional.”

Desempenho Escolar

O anuário mostra que apenas 4,5% dos jovens do 3º ano do ensino médio de escolas públicas tiveram aprendizagem adequada em matemática e em língua portuguesa, enquanto nas escolas particulares o índice chega a 28%. Lázaro aponta que o problema de aprendizagem dos chamados saberes clássicos não está só na rede pública, mas em toda a rede de ensino nacional, incluindo as escolas privadas.

Conquistas e Carências

O professor ressalta que historicamente houve conquistas da sociedade no sentido de garantir o direito à educação, como as taxas de inclusão elevadas. De cada 100 crianças, 95 ingressam na pré-escola, tanto na rede pública quanto na privada. No entanto, é preciso questionar o que ainda falta na educação brasileira, como financiamento, reconhecimento da diversidade e valorização da carreira docente.

Desafios

Lázaro avalia que é preciso questionar o que ainda falta na educação brasileira, como financiamento, reconhecimento da diversidade e valorização da carreira docente. “São questões muito articuladas que acabam gerando resultados precários e frustrando os nossos jovens diante do seu direito a uma educação capaz de ser o fator de transformação de que o país precisa.” O Brasil passa por um processo de desprofissionalização da carreira docente, o que também tem impactos negativos no sistema de educação.

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