- Um levantamento do Grupo Rabbit indica que as escolas privadas devem aumentar as mensalidades em cerca de 9,8% em 2024.
- A pesquisa foi realizada com mais de 300 instituições em todo o Brasil.
- Quatro em cada dez escolas aplicarão o reajuste conforme a Lei nº 9.870/1999, que permite um aumento anual com aviso prévio de 45 dias.
- Escolas menores, com até 80 alunos, projetam um aumento de 8,4%, enquanto colégios com mais de 850 estudantes estimam um reajuste de 9,2%.
- O aumento proposto supera a inflação projetada de 4,81% e visa reestruturar o setor após os impactos da pandemia, além de atender ao aumento nos salários dos professores.
Um levantamento realizado pelo *Grupo Rabbit*, que fornece consultoria e assessoria para a área da educação, aponta que no próximo ano as escolas privadas devem aumentar as mensalidades em cerca de 9,8%. A pesquisa foi feita com mais de 300 instituições pelo país.
O estudo também mostrou que 4 em cada 10 escolas devem aplicar o reajuste previsto pela Lei nº 9.870/1999, que só pode ocorrer uma vez por ano e precisa ser comunicado aos responsáveis com 45 dias de antecedência, mas sem limite legal para o percentual de aumento. Os dados também indicam que escolas menores devem registrar uma alta menor, com instituições de até 80 alunos projetando reajuste de 8,4%, enquanto colégios com mais de 850 estudantes estimam aumento de 9,2%.
Se o aumento for aplicado no próximo ano, ele ficará bem acima da inflação projetada para o período, estimada em 4,81%, índice usado como referência para reajustes e correções de valores, o que significa que o percentual proposto superaria mais que o dobro da variação esperada.
Os principais motivos para o aumento estão ligados à tentativa do setor de se reestruturar após os efeitos da pandemia, que ainda afetam muitas instituições, especialmente as menores, que concederam descontos de cerca de 25% nas mensalidades durante o período e ainda não conseguiram recuperar a margem de lucro.
Outro fator para entender o reajuste está diretamente atrelado aos salários dos professores, já que o dissídio da categoria é usado como parâmetro para calcular a inflação, além de ser responsável por representar de 45% a 55% do orçamento das escolas, sempre acima da variação inflacionária.
A pesquisa também identificou os principais setores dentro das instituições de ensino que devem receber os recursos do novo aumento: as atividades extracurriculares são a prioridade, com 70% das escolas afirmando que irão ampliá-las, enquanto 52% dizem que o dinheiro será destinado a reformas na infraestrutura. Em entrevista à Folha, o CEO do *Grupo Rabbit*, Christian Coelho, afirmou que esses gastos podem impactar negativamente na lucratividade das instituições, que atualmente gira em torno de 14%.
Em 2025, os colégios brasileiros registraram recorde na taxa de rematrícula, atingindo 83%, enquanto a evasão para escolas mais baratas permaneceu baixa. O resultado é atribuído à gestão mais eficiente, com melhor controle e organização interna, além de estratégias de negociação com as famílias.
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