- A Uerj criou grupos de trabalho com ex-egressos para acompanhar trajetórias pós-graduação e avaliar a eficácia das cotas.
- Pesquisadores destacam que a Lei de Cotas não é política fim; é instrumento para reduzir desigualdades no mercado de trabalho, e impactos fora da universidade dependem das trajetórias dos egressos.
- A avaliação da política passa pela análise dessas trajetórias, considerado pela comunidade acadêmica como o aspecto mais relevante.
- A Uerj utiliza autodeclaração racial combinada com corte socioeconômico de até R$ 2.277 de renda bruta por pessoa na família para ingresso, diferente de algumas federais.
- Há dados que mostram baixa representação de pretos e pardos entre mestres e doutores; a proposta é revisar o corte socioeconômico e a Lei 8.121, que só será revista em 2028.
A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) anunciou a criação de grupos de trabalho com ex-egressos para acompanhar as trajetórias dos formados pela política de ação afirmativa. O objetivo é avaliar impactos da reserva de vagas na pós-graduação e propor ajustes na norma.
Os grupos vão monitorar a efetividade das cotas e a continuidade de estudantes no mestrado e no doutorado. A medida foi apresentada como etapa central para entender, a partir das trajetórias dos egressos, se a política cumpre seu papel de reduzir desigualdades no mercado de trabalho.
A iniciativa surgiu no contexto de debates sobre o corte socioeconômico da política de cotas. A Uerj mantém critérios que combinam autodeclaração racial com renda familiar per capita, com limite de renda de até R$ 2.277, valor considerado, por pesquisadores, baixo para pós-graduação.
A revisão da Lei 8.121, de 2018, que regula as ações afirmativas na instituição, está prevista apenas para 2028. Enquanto isso, a instituição defende que editais de ingresso reconheçam autonomia universitária para ampliar o alcance das cotas.
Segundo o sociólogo Luiz Augusto Campos, um dos organizadores do estudo Impacto das Cotas, as cotas não devem ser vistas como política fim. Ele frisa que o sucesso da medida depende de impactos fora da universidade, observados nas trajetórias após a graduação.
Campos descreve a criação de grupos com ex-egressos como a etapa mais relevante para a avaliação da política. Ele argumenta que limitar o acesso à pós-graduação a partir do corte socioeconômico prejudica a representatividade de pretos e pardos nesse nível.
Dados do CGEE indicam baixa participação de pretos e pardos em títulos de mestrado e doutorado no país. A lente da análise na Uerj busca justamente ampliar oportunidades para essas parcelas na pós-graduação.
Entre 1996 e 2021, a proporção de títulos de mestrado e doutorado obtidos por pessoas brancas permanece superior à de outros grupos. A Uerj aponta que ajustes na política podem ampliar a diversidade sem comprometer critérios institucionais.
A consigna é manter a atuação institucional com responsabilidade, buscando caminhos para ampliar o acesso à pós-graduação. A proposta de revisão envolve possibilidades de flexibilização dos limites socioeconômicos, sem ultrapassar a autonomia universitária.
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