- Professores de escolas cristãs em Queensland foram orientados a ensinar criaçãoismo na ciência, incluindo a ideia de dinossauros vegetarianos a bordo da arca de Noé, com participação obrigatória em uma conferência promovida pela organização CCM.
- A conferência, realizada pela Answers in Genesis (grupo fundamentalista dos EUA), contou com apresentação do diretor de pesquisas da instituição, Andrew Snelling.
- Segundo relatos, Snelling afirmou que técnicas de datação radiométrica usadas pela ciência seriam falhas e que os dinossauros jovens teriam estado na arca.
- Professores informaram que receberam incentivo para incorporar esse material em aulas de ciências e humanas, mesmo com a exigência de seguir o currículo escolar local.
- A autoridade educacional de Queensland afirmou que os currículos apoiam a teoria da evolução, com auditorias periódicas para garantir o cumprimento, enquanto a CCM sustenta que suas escolas seguem o currículo australiano integralmente.
O grupo CCM, que administra 15 escolas cristãs em Australia, organizou um evento de ciência apoiado por uma organização criacionista sediada nos EUA. Professores da Queensland Open Brethren foram informados de que deveriam participar. O encontro foi visto como voluntário pela instituição, mas alguns docentes o consideraram obrigatório.
No evento, o diretor de pesquisas da Answers in Genesis, Andrew Snelling, apresentou argumentos contestando técnicas de datação radiométrica usadas pela comunidade científica. Segundo relatos, ele sugeriu que dinossauros vegetarianos teriam viajado na Arca de Noé e que o Himalaia foi formado pelo grande dilúvio. A partir disso, teria sido incentivada a incorporação dessas ideias em aulas de ciência e humanidades.
Professores que participavam disseram que a palestra buscou influenciar o conteúdo curricular. O tema central envolveu a compatibilização entre doutrina religiosa e ensino científico. Críticos ressaltam que o currículo oficial já introduz a teoria da evolução a partir do ensino médio, com mecanismos de avaliação definidos pelas autoridades.
A associação de docentes de ciência de Queensland afirmou que o currículo admite a teoria evolutiva e que o professor pode apresentar diferentes perspectivas, desde que demonstre compreensão científica. A autoridade estadual de currículo afirmou apoiar a educação baseada na teoria evolutiva, com checagens periódicas de qualidade das escolas.
A CCM defende que suas escolas atendem ao currículo australiano completo e valorizam contribuições científicas dentro de uma visão bíblica. A organização destacou que Snelling é geólogo qualificado e que as informações veiculadas pela imprensa teriam sido distorcidas. Não houve respostas formais adicionais por parte de Snelling.
A Guardian Australia informou sobre a iniciativa de eventos da Answers in Genesis na Austrália, com novas atividades previstas em Queensland. O material publicado não descreve novidades sobre mudanças no currículo oficial, apenas o debate entre visão religiosa e ciência no ambiente escolar.
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