- A primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) mostrou que cerca de 30% dos cursos tiveram desempenho insatisfatório, com menos de 60% dos alunos atingindo a nota mínima.
- O Ministério da Educação divulgou sanções para as faculdades com piores resultados, e entidades como o Conselho Federal de Medicina defendem a criação de um exame de proficiência para recém-formados antes do registro profissional.
- A professora Eliana Amaral, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas, destaca a necessidade de fortalecer o sistema de regulação para orientar e acompanhar as instituições.
- Ela aponta que o Enamed aponta problemas já conhecidos pelo Enade e ressalta que a avaliação não deve medir qualidade apenas pela prova, defendendo fiscalização in loco para verificar a formação prática.
- Em Brasília, a discussão sobre expansão de vagas em medicina envolve melhoria de infraestrutura, laboratórios e condições de atuação, com a ideia de um acordo de sociedade e regulação séria para orientar onde abrir escolas.
O Enamed, primeiro Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, aponta que cerca de 30% dos cursos tiveram desempenho insatisfatório. Menos de 60% dos estudantes atingiram a nota mínima de proficiência, e a maioria das instituições nesse grupo é municipal ou privada com fins lucrativos. O resultado levou o MEC a anunciar sanções para as faculdades com piores desempenhos.
O debate inclui pedidos por um exame de proficiência para recém-formados, apresentado por entidades como o Conselho Federal de Medicina. A ideia é exigir avaliação antes da concessão do registro profissional, segundo especialistas citados no estudo.
Eliana Amaral, professora da Unicamp, ressalta que fortalecer o sistema de regulação é essencial para a qualidade da formação médica. Ela defende que o objetivo seja orientar soluções e exigir compromissos das instituições, não apenas medir resultados de alunos.
A docente lembra também que o Enade já avaliava o desempenho estudantil, e que muitos problemas identificados pelo Enamed já eram conhecidos. Ela afirma que medir qualidade apenas pela prova é inadequado e que a fiscalização deve ocorrer in loco, contemplando o ensino prático.
Segundo Amaral, o MEC já utiliza um Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior que soma notas do Enade a inspeções presenciais. Ela destaca que a formação médica brasileira sempre teve padrão alto, com diretrizes que asseguram atendimento emergencial.
O presidente da Associação Médica Brasileira, César Fernandes, aponta expansão de vagas como risco ao ensino prático. Ele defende que metade do curso deve ocorrer em campo, com laboratórios, ambulatórios e unidades de pronta atendimento bem estruturados.
Fernandes sustenta que o problema de falta de médicos não se resolve apenas abrindo novas faculdades. A solução envolve políticas de alocação, melhoria da infraestrutura de atendimento e salários atrativos para profissionais.
Amaral vê necessidade de um acordo social para moldar o crescimento das escolas médicas. Ela afirma que abrir novas faculdades requer participação dos governos e das secretarias de saúde para definir onde os estudantes poderão aprender de forma eficaz.
Entre os estudantes, Vanessa Conceição da Cruz, formada pela UFV, celebra nota máxima no Enamed. Ela ressalta a prática já existente na universidade, com estágios desde o início do curso e foco na atenção primária, o que, na visão dela, contribuiu para a avaliação.
Vanessa defende que a avaliação tenha sido capaz de refletir a formação prática, ao mesmo tempo em que reforça a exigência de fiscalização constante das faculdades. Ela enfatiza a necessidade de experiências em cenários reais para futuros médicos.
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