- O Exame Nacional da Formação Médica (Enamed) revelou desigualdades entre cursos no Brasil, com melhor desempenho em instituições públicas federais e estaduais e pior em alguns privados modernos e municipais.
- Os resultados destacam padrões de desempenho, não apenas rankings, indicando que nem todo curso privado é ruim, mas que a estrutura institucional influencia os resultados.
- As causas são multifatoriais: perfil de ingresso, qualidade do internato, corpo docente e governança, além do valor agregado pelo curso ao longo da formação.
- O Enamed é útil como régua nacional, mas é insuficiente isoladamente, pois mede conhecimento teórico e não habilidades clínicas, comunicação médico-paciente ou tomada de decisão em situações reais.
- Recomendações incluem padrões nacionais para o internato, fortalecimento da atenção primária, formação pedagógica de docentes, avaliações práticas obrigatórias e avaliações longitudinais da graduação.
O En aparelhou a avaliar a formação médica no Brasil, chamando a atenção para desigualdades históricas no ensino. O Exame Nacional da Formação Médica (Enamed) revelou padrões de desempenho que vão além de rankings simples. O objetivo é mapear a qualidade da formação e orientar políticas públicas.
Os resultados indicam que cursos públicos federais e estaduais tradicionais apresentam melhor desempenho, com maior proporção de alunos considerados proficientes. Em contraste, parte dos cursos privados com fins lucrativos, especialmente os mais recentes, além de alguns municipais, registraram resultados mais baixos.
O levantamento mostra que não se trata apenas de uma questão de qualidade entre instituições, mas de trajetórias formativas discrepantes. O conjunto de dados aponta para uma diferença entre cenários com maior oferta de prática supervisionada e ambientes com menos estruturação do internato.
Desigualdades estruturais na formação médica
Cursos de universidades públicas de tradição e instituições filantrópicas com forte inserção hospitalar aparecem entre os melhores performadores. Por outro lado, instituições com inauguração recente e atuação em regiões com serviços de saúde menos desenvolvidos aparecem entre os piores conceitos.
A origem dessas disparidades envolve múltiplos fatores, como perfil de ingresso, organização do internato, qualificação do corpo docente e práticas pedagógicas. O exame aponta que o valor agregado pela instituição também influencia o desempenho final dos estudantes.
Caminhos para melhoria e avaliação contínua
Especialistas defendem padrões nacionais verificáveis para o internato, maior foco na atenção primária e na saúde coletiva, além de formação pedagógica de docentes. Avaliações práticas obrigatórias, como provas clínicas e portfólios, são consideradas fundamentais.
O Enamed é visto como instrumento útil, mas insuficiente isoladamente. A ideia é combinar provas teóricas, avaliações práticas, qualidade do internato e indicadores de segurança do paciente, em uma avaliação longitudinal.
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