- A guerra já dura quase cinco anos e deixou milhões sem educação: cerca de 3,5 milhões de alunos ficam na Ucrânia, 1,6 milhão em áreas ocupadas e quase 1 milhão na União Europeia.
- Em Pechenihy, a escola foi atingida e ganhou um abrigo subterrâneo para aulas, mas ataques em 2025 interromperam o funcionamento, deixando as salas frias e sem condições.
- Famílias como a de Oksana Drozdova optaram por manter a ligação com a Ucrânia, enviando os filhos a escolas no exterior e mantendo aulas online quando o retorno não era viável.
- Existe uma grande desigualdade educacional: crianças em áreas ocupadas estudam em escolas russificadas ou online, enquanto outras têm acesso a ensino presencial de qualidade na Europa; instituições e organizações civis ajudam com educação remota.
- O reparo do espaço subterrâneo da escola de Pechenihy pode custar pelo menos US$ 1 milhão, recurso que a vila, com orçamento apertado, não consegue arcar sozinha.
A guerra na Ucrânia continua a impactar a educação. Em Pechenihy, vila próxima a Kharkiv, escolas foram danificadas e espaços de ensino subterrâneos passaram a abrigar crianças que vivem cercadas por ataques constantes. O país enfrenta perdas de aprendizado e isolamento entre milhões de estudantes.
Oksana Drozdova, moradora da vila, deixou a residência com dois filhos em março de 2022 para Schmallenberg, na Alemanha. Lá, mesmo em terra estrangeira, manteve o elo com a educação ucraniana: o filho mais velho recebia aulas alemãs pela manhã e tarefas de história e língua ucraniana à noite. O retorno à Ucrânia foi uma decisão difícil, visando manter vínculos com o sistema educacional local.
Com o avanço do conflito, a situação educacional se agrava. Cerca de 3,5 milhões de alunos permanecem no país, enquanto 1,6 milhão de estudantes nas áreas ocupadas pelos russos e quase 1 milhão na UE enfrentam descontinuidade de ensino, isolamento e mudanças de idioma escolar. A opção entre escolas estrangeiras e o modelo ucraniano tornou-se uma dúvida diária para famílias.
Retorno e reabertura
Em 2023, vislumbrou-se sinal de melhora: a ofensiva ucraniana avançava e a escola de Pechenihy planejava abrir abrigo subterrâneo para estudantes socializarem após as aulas presenciais. Em agosto, a família retornou à cidade; Drozdova passou a lecionar ucraniano, inglês e matemática na escola reaberta. Em janeiro de 2025, a reforma do espaço subterrâneo permitiu aulas presenciais diárias.
Entretanto, em março de 2025, três drones russos atingiram a escola renovada durante a noite, cortando a energia e provocando alagamentos parciais. A reconstrução é estimada em pelo menos 1 milhão de dólares, valor elevado para a comunidade local. Os danos interromperam o funcionamento das salas de aula.
Desafios contínuos
Visitas feitas em dezembro de 2025 revelam uma população escolar sem infraestrutura segura. Incêndios, cortes de energia recorrentes e ataques de mísseis mantêm as famílias em estado de alerta. Com as aulas presenciais suspensas, crianças seguem com currículos online fragmentados e interrupções de videoconferência.
Profissionais e organizações civis tentam manter a educação. Em áreas ocupadas, redes clandestinas oferecem aulas online de língua e história ucranianas, com participação frequente desafiada por riscos legais e de segurança para famílias e docentes. A evasão de estudantes e a queda no número de matriculados são preocupações constantes.
O impacto educacional é acompanhado por especialistas: perdas de aprendizado podem afetar o desempenho macroeconômico do país. A desigualdade é acentuada entre regiões próximas ao front e áreas mais estáveis, refletindo-se na qualidade do ensino e no acesso a recursos.
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