- O painel Educação, afresco de Gilda Reis (1928-2017), está em restauro no nono andar da sede do Ministério da Educação em Brasília.
- Encomendado por Oscar Niemeyer no início da década de sessenta, o mural mostra, de um lado, estudantes uniformizados e, de outro, uma mãe com filhos descalços.
- A restauração é feita pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) via termo de execução descentralizada, dentro do Programa Multiações para o Patrimônio Cultural, com entrega prevista para o segundo semestre de 2026.
- O painel já teve destaque no gabinete dos ministros e representa o compromisso com a educação pública, com relevância histórica para o modernismo e para a construção de Brasília.
- A equipe da UFPel reúne especialistas em pintura mural, conservação e documentação científica; a obra também dialoga com referências do modernismo brasileiro e com a relação entre Brasília e Niemeyer.
O painel Educação, de Gilda Reis Neto (1928-2017), está em restauração no 9º andar da sede do Ministério da Educação (MEC), em Brasília. A obra, afresco encomendado por Oscar Niemeyer, integra o acervo do MEC desde a construção da capital federal e já teve momentos de destaque no gabinete dos ministros.
A ação de restauro é realizada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), por meio de um termo de execução descentralizada com o MEC. O projeto faz parte do Programa Multiações para o Patrimônio Cultural, do curso de conservação e restauração de bens culturais móveis da universidade. A conclusão está prevista para o segundo semestre de 2026.
Restauração
A equipe da UFPel atua de forma multidisciplinar, reunindo especialistas em pintura mural, conservação, documentação científico-artística, fotografia e mapeamento de dados. O trabalho também envolve análises químicas e a escolha de materiais compatíveis com a obra original. Recentemente, a universidade restaurou 20 obras vandalizadas no Palácio do Planalto.
Modernismo e contexto
Gilda Reis dialoga com o modernismo brasileiro, segundo o professor Roberto Heiden, da UFPel. Niemeyer é reconhecido por articular artes e arquitetura, o que confere ao painel Educação uma importância histórica no período de sua criação, no início dos anos 1960. A obra mescla figuras abstratas e figurativas, com cenas de crianças em idade escolar.
A pintura retrata duas realidades: estudantes com uniforme e pés descalços, famílias de origem humilde e olhares distantes. O tema central enfatiza o acesso à educação pública e a proteção social oferecida pelo Estado, configurando um apelo visual por justiça social.
Legado e registros
Além do painel no MEC, a trajetória de Gilda Reis inclui murais em Brasília, como na Escola Parque da 307/308 Sul e no Iate Clube do Brasil, entre 1959 e 1962, hoje perdidos ou substituídos. A pesquisadora destaca ainda a circulação da artista no exterior, com atividades nos Estados Unidos e na Argentina entre 1967 e 1982.
Relatos de registro histórico apontam a presença da obra em reportagens de jornais da época, como o Correio Braziliense, que destacaram o acervo artístico de Brasília em 1966. A história de Gilda Reis faz parte do conjunto de referências sobre o modernismo e a construção cultural de Brasília.
Perfil da artista
Gilda Reis Neto nasceu no Rio de Janeiro e participou de mais de cinquenta exposições no Brasil e no exterior. Estudou com Ivan Serpa e André Lhote; passou temporadas de estudo em Paris, na Académie de la Grande Chaumière. Murais da artista já foram inteiramente destruídos ou removidos em diferentes momentos de sua carreira.
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