- O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o debate sobre gênero nas escolas não deve ser classificado como tabu, mas como tema que precisa de prioridade.
- O governo federal deve lançar, nas próximas semanas, uma política nacional de combate à discriminação e à violência no ambiente escolar, em parceria com entidades da educação básica.
- As ações previstas incluem formação continuada de professores, materiais pedagógicos, orientações técnicas e cursos, inclusive na modalidade a distância, para enfrentar bullying, racismo, violência e desigualdade de gênero.
- A iniciativa é alinhada à determinação do presidente Lula de transformar a escola em instrumento de prevenção à violência de gênero, com apoio de ações como o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio.
- Dados de 2025 mostram 6.904 vítimas de feminicídio consumado ou tentado no Brasil, alta de 34% em relação a 2024, com maioria dos casos ocorrendo no âmbito íntimo e predominando mulheres entre 25 e 34 anos.
O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o debate sobre gênero nas escolas não deve ser classificado como tabu, e sim como tema ausente de prioridade nas políticas públicas. A declaração ocorreu nesta terça-feira durante entrevista à CartaCapital.
Santana reforçou que o MEC precisa avançar na implementação de iniciativas já aprovadas, citando a lei que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Indígena, ainda sem plena execução no país.
O governo Lula deve lançar, nas próximas semanas, uma política nacional para combate à discriminação e à violência no ambiente escolar. A iniciativa está sendo construída com o Conselho Nacional de Secretários de Educação e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação.
Entre as ações previstas estão formação continuada de professores, materiais pedagógicos, orientações técnicas e cursos, inclusive a distância, para qualificar educadores no enfrentamento de bullying, racismo, violência e desigualdade de gênero.
Santana enfatizou que o espaço da escola é fundamental para conscientizar sobre o respeito às mulheres, alinhado à determinação do presidente Lula de transformar a escola em instrumento de prevenção à violência de gênero.
O ministro participou, em Aracaju, da cerimônia de posse de André Maurício e Silvana Bretas na reitoria da Universidade Federal de Sergipe, após visitar o campus São Cristóvão. Ele sinalizou o plano do governo durante o deslocamento.
Dados oficiais mostram aumento no feminicídio: em 2025 foram 6.904 vítimas, 34% a mais que em 2024 (5.150). Do total, 4.755 foram tentativas e 2.149 assassinatos, com média de quase seis mortes por dia.
O Relatório Anual de Feminicidídios 2025, da Universidade Estadual de Londrina, aponta que 75% dos crimes ocorrem no âmbito íntimo, e 38% das vítimas foram mortas em casa. A maior parcela de vítimas tinha entre 25 e 34 anos.
Sobre o perfil do agressor, a idade média é 36 anos e 94% atuaram de forma isolada. Quase metade dos casos (48%) ocorreu com arma branca, como faca ou canivete, segundo o levantamento.
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