- O Colégio São Domingos, em Perdizes, suspendeu cinco alunos do 9º ano após mensagens misóginas e apologia a crimes sexuais em um grupo de WhatsApp.
- Três estudantes criaram uma lista que classificava colegas como “estupráveis”; outros dois compartilharam figurinhas de Jeffrey Epstein.
- O conteúdo veio à tona na última semana, quando alunas descobriram tudo, confrontaram os autores e reportaram à coordenação.
- Especialistas veem o caso como sintoma de crescimento da misoginia entre jovens, com influência de conteúdos digitais e mediação parental/educativa insuficiente.
- Defendem que a punição deve ser parte de um processo educativo, com educação socioemocional, práticas restaurativas e parceria entre escola e família para promover respeito e equidade de gênero.
O Colégio São Domingos, em Perdizes, zona oeste de São Paulo, suspendeu cinco alunos do 9º ano após identificar mensagens misóginas e apoio a crimes sexuais em um grupo de WhatsApp. Três estudantes criaram uma lista que classificava colegas como “estupráveis”, enquanto outros dois compartilharam figurinhas de Jeffrey Epstein. O episódio veio à tona quando alunas do colégio confrontaram os autores e acionaram a coordenação.
As autoridades da escola informaram que as sanções foram aplicadas no âmbito das normas internas. O caso expõe a violência simbólica no ambiente escolar e a responsabilidade compartilhada entre famílias e instituição de ensino. A direção afirmou tratar o assunto com prioridade e buscando medidas educativas.
Debate sobre violência de gênero no ambiente escolar
Especialistas apontam que a misoginia entre jovens é um fenômeno que ganha terreno com o consumo precoce de conteúdos digitais. A psicopedagoga Paula Furtado destaca que o problema reflete modelos culturais e discursos polarizados presentes em dispositivos usados pelos adolescentes.
Ela acrescenta que o excesso de estímulos digitais pode empobrecer habilidades socioemocionais, fazendo da escola um espaço onde conflitos se manifestam de forma crua. A mediação adulta e a escuta às vítimas são apontadas como passos centrais.
Medidas e responsabilidades
Paula Furtado defende respostas rápidas das instituições, com acolhimento emocional e ações preventivas. Ela sugere programas de educação socioemocional, práticas restaurativas e projetos que promovam respeito e diversidade desde cedo.
A responsabilidade é dividida: a escola atua na formação de cidadãos críticos e em protocolos de convivência; as famílias devem modelar comportamentos e monitorar o conteúdo consumido no mundo digital. A coerência entre fala familiar e institucional é fundamental para a prevenção.
Entre na conversa da comunidade