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IBGE aponta que 1 em cada 4 meninas estudantes sofre assédio no Brasil

IBGE aponta assédio sexual em uma em cada quatro meninas; 1,1 milhão de adolescentes relatam relação sexual forçada, maioria com 13 anos ou menos

Pesquisa do IBGE afirma que meninas são as mais afetadas por assédio e bullying nas escolas
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  • O IBGE, com a PeNSE 2024, aponta que 1,1 milhão de adolescentes relataram ter sofrido relação sexual forçada, em sua maioria com 13 anos ou menos.
  • Em 2024, 18,5% dos estudantes disseram já ter passado por situações em que alguém os tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a vontade.
  • Entre meninas de 13 a 17 anos, 26% já relataram assédio sexual em algum momento da vida.
  • O estudo mostrou aumento de 3,8 pontos percentuais no assédio sexual desde 2019, com maior elevação entre as meninas (5,9 p.p.).
  • A educação sexual é apontada como ferramenta de proteção, com recomendação de atuação integrada entre escolas, conselhos tutelares e centros de referência da assistência social.

O IBGE divulgou na 5ª edição da PeNSE 2024 que 1 em cada 4 meninas estudantes já sofreu assédio sexual. Entre 1,1 milhão de adolescentes que relataram relação sexual forçada, a maioria tinha 13 anos ou menos na época. Em 2024, 18,5% dos estudantes afirmaram ter passado por toque, manipulação, beijo ou exposição não desejados ao longo da vida.

A pesquisa, realizada com apoio do MEC e do Ministério da Saúde, abrange alunos do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio. O levantamento aponta aumento do assédio entre 2019 e 2024, com 3,8 pontos percentuais a mais, e variação maior entre meninas, de 5,9 p.p.

Violência sexual e educação

Para o advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB, os números refletem uma sociedade com historicamente tratamento de mulheres como objetos. Ele aponta a urgência de mudanças culturais e educacionais.

Alves defende a educação sexual como ferramenta de proteção, destacando que o tema deve estar presente nas escolas para prevenir abusos, gravidez precoce e infecções. Segundo ele, a censura a temas de gênero nos últimos 15 anos contribui para comportamentos de masculinidade tóxica.

Bullying e saúde mental

A PeNSE 2024 mostra crescimento do bullying: 27,2% dos estudantes sofreram episódios duas ou mais vezes nos 30 dias anteriores. Meninas são as maiores vítimas (30,1%), e meninos aparecem como agressores com 16,5%.

O cyberbullying atinge 12,7% dos adolescentes, com 15,2% de vítimas online entre as meninas e 11,6% de agressores online entre os meninos. Especialistas alertam para sofrimento psíquico e sensação de solidão, mesmo em sociedade conectada.

Dados adicionais de saúde e suporte

Quatro dos seis indicadores de saúde mental apresentaram melhora desde 2019, mas 28,9% relataram tristeza frequente e 32% pensaram em se machucar nos 12 meses anteriores. Sobre saúde sexual, houve queda no início da vida sexual, mas redução no uso de preservativos.

Cerca de 47,7% dos alunos contam com suporte psicológico na escola, com maior participação na rede privada (58,2%) do que na pública (45,8%). Como conclusão, especialistas sugerem atuação integrada entre escolas, conselhos tutelares e serviços de assistência social para enfrentar a violência.

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