- O artista e pesquisador Lucas dos Prazeres, 42 anos, percorre o país defendendo que a cultura local deve embasar a prática pedagógica para enfrentar o racismo.
- A ideia está alinhada à Lei nº 11.645/2008, que tornou obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena na educação básica.
- Nesta semana, ele capacita 60 professores do Distrito Federal no projeto promovido pela Caixa Cultural, intitulado Reaprender Brincando.
- A proposta usa a cultura popular e as brincadeiras tradicionais para compor a ementa, conectando as disciplinas à história de cada território.
- O objetivo é uma educação inclusiva, antirracista e representativa, indo além de apresentações artísticas isoladas e envolvendo ensino formal e informal.
A escola pode ir além da reprodução de conteúdos ao privilegiar a raiz cultural dos estudantes. O artista e pesquisador Lucas dos Prazeres defende que o ensino deve valorizar saberes locais e tradições, promovendo participação e ousadia na sala de aula. A ideia acompanha iniciativas de capacitação que chegam à rede pública.
Diante da Lei 11.645/2008, que tornou obrigatório o estudo de história e cultura afro-brasileira e indígena, o método pretende integrar identidade regional ao conteúdo escolar. Segundo Dos Prazeres, a “tecnologia” educativa envolve uma rede de apoio comunitária, indo além do cuidado parental.
Na prática, ele atua como profissional capacitando professores e reforçando o vínculo entre ensino e cultura. Nesta semana, ele forma 60 docentes no Distrito Federal, por meio do projeto da Caixa Cultural, com a formação intitulada Reaprender Brincando.
A proposta privilegia o uso de brincadeiras e tradições populares como ferramenta pedagógica, buscando uma aprendizagem inclusiva, antirracista e representativa. O objetivo é que toda disciplina tenha conexão com a vida coletiva do município, do bairro e da comunidade.
Para Dos Prazeres, a cultura está presente no cotidiano de cada lugar. Ele destaca que o Morro da Conceição, onde cresceu, representa uma encruzilhada de saberes onde a diversidade de Pernambuco convive na prática.
A história da família dele ajuda a entender a origem do projeto. Em 1981, a creche-escola comunitária da mãe, Lúcia, e da tia, Conceição, recebeu material didático estadual. O material ignorava a realidade local, o que dificultou o envolvimento de crianças com o tema de fazendas e familiares.
Território
Dos Prazeres afirma que docentes de todos os níveis devem incorporar a arte na prática educativa, inclusive em áreas de exatas. O foco é conectar a primeira infância à história e à cultura do território, construindo identidades desde cedo.
Para o pesquisador, gestores precisam compreender que cultura escolar vai além de apresentações artísticas. É essencial usar a cultura popular como ferramenta de aprendizado, integrando-a ao desenho pedagógico e à rotina escolar.
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