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Massacre de Realengo completa 15 anos: fatores misóginos ligados ao crime

Investigação aponta misoginia como elemento central no Massacre de Realengo, com destaque para violência de gênero e radicalização online de jovens

Familiares e amigos das vítimas da tragédia de Realengo fazem uma celebração em memória dos jovens, na Igreja Nossa Senhora de Fátima. Na tragédia, doze jovens entre 13 e 16 anos morreram (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
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  • Em Realengo, no Rio de Janeiro, um ex-aluno matou 12 alunos com dois revólveres e cometeu suicídio após ser baleado pela polícia; crime ocorreu há 15 anos.
  • Além do bullying, pesquisadoras destacam a misoginia como fator central, citando a diferença entre 10 vítimas do sexo feminino e 2 do sexo masculino, além de relatos de comportamento do atirador.
  • Testemunhas disseram que o atirador atirava para que as meninas morressem e para ferir os meninos; há também referência a comunidades online que teriam celebrado o ataque.
  • Um conjunto de ativistas aponta a misoginia como parte de um padrão de violência de gênero, ligado a masculinidade tóxica e a modelos sociais de status e poder.
  • Em violência escolar, levantamento aponta 40 ataques entre 2001 e 2024, com aumento recente (25 entre 2022 e 2024), todos cometidos por homens; defendem-se ações integradas de educação, família, saúde mental, segurança pública e regulação de plataformas digitais.

O Massacre de Realengo, cometido há 15 anos, mobilizou debates sobre violência escolar no Rio de Janeiro. Um ex-aluno invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, levou dois revólveres, matou 12 estudantes entre 13 e 15 anos e se suicidou após ser baleado por policiais. Os tiros ocorreram no bairro de Realengo, na Zona Norte da cidade, provocando luto e mudanças no debate público sobre segurança nas escolas.

Inicialmente, a versão enfatizou o bullying como motor do ataque, com o assassino deixando vídeos e uma carta de suicídio apontando violência e intimidação vivenciadas na escola. A comoção gerou a criação do Dia Nacional de Combate ao Bullying, pela Lei 13.277/2016, para a conscientização sobre o tema.

Um grupo de pesquisadoras e ativistas feministas sustenta que a misoginia é um eixo central não reconhecido com a devida ênfase. Os dados apontam desigualdade de gênero entre as vítimas: 10 meninas e 2 meninos. A crítica é de que a explicação dominante desconsiderou aspectos de ódio a mulheres.

A partir de entrevistas e recolha de relatos, observa-se que testemunhas descrevem padrões de violência direcionados a meninas e danos menos graves a meninos. Pesquisadora afirma que, no contexto online da época, o ato ganhou adesão de grupos extremistas e masculinistas, fortalecendo a leitura de que o crime teve motivação misógina.

Fatores de violência escolar

Cleo Garcia, doutora em educação pela Unicamp, analisou 40 ataques a escolas brasileiras entre 2001 e 2024, com 25 ocorrências de 2022 a 2024, todos praticados por homens. O estudo associa esses crimes a crenças opressoras, incluindo misoginia, racismo e extremismo, com comunidades online exercendo papel relevante na radicalização.

Ela destaca que o modelo de masculinidade violenta, que hierarquiza mulheres, emerge como componente essencial dessas dinâmicas. A psicologia dos envolvidos costuma incluir frustrações sexuais e sensação de inadequação, com busca por pertencimento em espaços digitais que promovem agressividade.

Caminhos de prevenção

Especialistas sugerem que o ambiente escolar precise de maior integração entre famílias, instituições e redes de apoio, além de canais de comunicação para que estudantes exponham angústias com segurança. A educação precisa preparar profissionais para lidar com temas de gênero, emoções e convivência, sem sobrecarga de demanda aos docentes.

Outras frentes indicadas incluem investimentos em saúde mental, assistência social e segurança pública, bem como regulação das plataformas digitais. A ideia é reduzir a exposição a conteúdos que incentivem a misoginia e a radicalização, fortalecendo a atuação policial e o monitoramento de redes.

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