- 72% dos adolescentes brasileiros passam entre duas e seis horas por dia em frente às telas, e 25% ficam entre quatro e seis horas; o padrão é estável independentemente de gênero, região, renda ou tipo de escola.
- YouTube aparece em 89% dos acessos diários, WhatsApp em 86%, Instagram em 72%, TikTok em 69% e Roblox em 54%, destacando o protagonismo de plataformas audiovisuais.
- A partir dos 14 anos, aumenta o número de jovens que ultrapassam seis horas diárias de uso.
- 96% dos pais já observaram algum impacto do uso excessivo no bem-estar dos filhos, com 52% relatando dificuldade de concentração, 48% irritação, 47% ansiedade e 38% mudanças de humor.
- A infância digital começa cada vez mais cedo: 47% dos pais afirmam que os filhos passaram a usar mais telas entre 1 e 3 anos, e 34% antes do primeiro ano.
Mais de 70% dos adolescentes brasileiros passam até 6h por dia diante das telas, aponta estudo nacional. O levantamento ouviu 1.180 pais e mães entre agosto e outubro de 2025, em todas as regiões do país, para entender o tempo de uso, impactos e a atuação dos adultos. Além disso, foram realizadas 56 entrevistas com famílias e consultas a psicólogos e pedagogos.
O estudo mostra que 72% dos adolescentes passam entre duas e seis horas diárias em frente às telas, sendo 25% no intervalo de quatro a seis horas. O comportamento permanece estável entre gêneros, regiões, renda e tipo de escola, indicando um padrão nacional de exposição digital.
Entre os espaços mais frequentados, o YouTube aparece em 89% dos casos e o WhatsApp em 86%. Em seguida ficam Instagram com 72% e TikTok com 69%. Jogos online ganham destaque com Roblox atingindo 54%, sobretudo entre os mais jovens.
Efeitos no comportamento
Quase todos os pais observam impactos. Em 96% dos casos houve identificação de algum sintoma relacionado ao uso excessivo de telas. Entre os sinais mais comuns estão dificuldade de concentração (52%), irritação ou agressividade (48%), ansiedade (47%) e mudanças de humor (38%).
Para a pesquisadora Soraia Marioti, o desafio é coletivo. A indústria tecnológica é mais poderosa que as famílias, o que torna necessário envolver políticas públicas. A adoção de medidas regulatórias semelhantes a outras mudanças sociais é defendida como parte de uma transformação cultural gradual.
Infância digital e parentalidade
A pesquisa aponta ainda que a iniciação das telas ocorre cada vez mais cedo. Quase metade dos pais (47%) informou que os filhos passaram a ter contato mais intenso com telas entre 1 e 3 anos; 34% indicaram menos de um ano. Acesso tardio é minoritário (12% entre 4 e 7 anos; 7% após os 7).
Especialistas recomendam adiar ao máximo o uso de telas na primeira infância, selecionar conteúdos com critério, buscar informações sobre o que é tendência entre os jovens e manter diálogo contínuo com as crianças. A presença dos cuidadores na educação midiática é destacada como chave para reduzir impactos.
Distribuição de responsabilidades
O estudo reforça que o cuidado com a educação digital recai, ainda, principalmente sobre as mulheres. Soraia ressalta que a carga de acompanhar reuniões escolares, grupos de comunicação e o acompanhamento emocional e digital dos filhos costuma recair sobre as mães. A pesquisadora enfatiza a necessidade de dividir responsabilidades e repensar a parentalidade como um todo.
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