- Documentos recém-descobertos na prefeitura de Jerusalém revelam candidaturas de quase 100 judeus à Bezalel (hoje Academia Bezalel de Artes e Design) entre a década de 1930 e o fim da Segunda Guerra Mundial, como forma de fugir do nazismo.
- A Bezalel, criada em mil e seis, em alguns casos abriu portas para imigrar para a Palestina, mas a seleção era restrita e muitos não conseguiam completar a formação.
- A descoberta, feita em dois mil e vinte e dois, reúne 88 arquivos pessoais e cartas entre o diretor da escola, Josef Budko, a Agência Judaica e outras organizações que buscavam facilitar a imigração.
- Ao todo, cinquenta e nove candidatos foram aceitos, mas apenas 27 viajaram para estudar em Jerusalém; outros emigraram para diferentes lugares e alguns não deixaram a Europa.
- Os portfólios mostraram que muitos candidatos buscavam a fuga do nazismo mais do que a carreira artística, com histórias que envolvem várias cidades europeias e destinos diversos.
A Bezalel, escola de arte de Jerusalém, ganhou nova dinâmica histórica com a descoberta de arquivos que mostram candidaturas de judeus que buscavam fugir do nazismo antes da Segunda Guerra. Documentos, cartas e obras de quase 100 candidatos foram encontrados nos arquivos municipais em 2022.
Os papéis revelam que, apesar da rigidez de imigração britânica na Palestina, a Bezalel abriu chance a quem fugia do ataque nazista. Entre os interessados estavam europeus de várias cidades, com maior parte das candidaturas datando dos anos 1930. Do total, 49 foram aceitas, mas apenas 27 viajaram para estudar em Jerusalém.
A pesquisa envolveu o Yad Vashem, Centro Mundial de Memória do Holocausto, que analisa as possibilidades de resgate e fuga. As equipes destacam que muitos candidatos nao eram artistas formados; buscavam a saída diante do risco extremo. Abaixo, alguns casos ajudam a entender esse capítulo da história.
Casos notáveis
- Alice e Susanne Fall: candidatas da cidade Moravská Ostrava, registradas em 14 de julho de 1939; ambas foram rejeitadas, e após a guerra seguiram destinos difíceis na Europa ocupada.
- Eva Israel: candidata de Viena, aceitação em outubro de 1938; retornou à Hungria e só conseguiu embarcar para Haifa em março de 1939, sem conseguir manter contatos familiares estáveis.
- Helmut Paskusz: estudante de medicina e caricaturista de Brno; rejeitado em agosto de 1939; foi deportado a Terezin e depois morto em 1942.
- Marie Ellinger: jovem de Praga, rejeitada por não ter relação com alfaiataria; posteriormente morta após passagem por Riga.
- Samuel Zimmerman: candidato a professor de escultura em Viena; rejeitado por falta de vagas; relatos indicam morte durante o deslocamento para Israel.
- Zahava Rosen: candidata em 1947; descreveu perdas familiares durante a guerra e seguiu estudando artes têxteis após o conflito.
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