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Matrículas da educação básica na rede pública caem em todos os anos

Matrículas na rede pública caem 1,08 milhão (2,29%), com maior perda no ensino médio, sobretudo em São Paulo, por mudanças na metodologia de contagem

Existem vários fenômenos que estão associados à queda de matrícula Foto: jcomp/Freepik
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  • O Censo Escolar de 2025 aponta queda nas matrículas da rede pública, de 47,09 milhões para 46,02 milhões, redução de 1,08 milhão de estudantes (2,29%).
  • O ensino médio foi o principal responsável pela queda, com cerca de 425 mil matrículas a menos, sendo 60% delas no estado de São Paulo.
  • A mudança na metodologia de contagem de matrículas, associada à reforma do ensino médio, ajudou a produzir a redução, especialmente em São Paulo.
  • Entre 2022 e 2024 houve caos metodológico causado pelo Inep; em 2025 foram criadas novas regras e variáveis para registrar as matrículas, ajustando os números.
  • A evasão escolar não explica sozinha a grande queda; segundo o professor, o efeito dominante é a mudança metodológica nos dados.

O Censo Escolar 2025, divulgado pelo MEC, aponta queda nas matrículas da rede pública. Passaram de 47,09 milhões para 46,02 milhões, baixa de 1,08 milhão de alunos, ou 2,29%. A redução envolve creches até o ensino médio. O destaque fica com o ensino médio, que perdeu cerca de 425 mil alunos.

Entre os estados, 60% dessa queda no ensino médio está concentrada em São Paulo. A explicação inicial envolve mudanças demográficas e alterações na contagem de matrículas. Especialista da USP aponta que a queda é causada principalmente pelo ensino médio, e não pelo fundamental.

A queda é atribuída a mudanças metodológicas. Em SP, o governo estadual afirmou ter suspendido duplicaçõe anteriores por reforma do ensino médio, zerando publicações anteriores e refletindo nos números. Isso acentuou a redução de matrículas a partir de 2021.

Segundo o pesquisador Fernando Cássio, a demografia explica apenas parte do recuo. Ele cita que o envelhecimento da população supõe perda de cerca de 1% ao ano, insuficiente para justificar a queda de 2%. O ensino médio, segundo ele, é o principal responsável.

O professor ressalta que a evasão escolar não explica sozinha o recuo. Em SP, a queda de 17% no ensino médio não é compatível com um cenário de ausência total de estudantes. A economia comportamental, por incentivo à permanência, também atua para reduzir desistências.

Mudanças de método e o futuro dos dados

A partir de 2025, o Inep definiu novas variáveis de matrícula para padronizar registros. Estados ajustaram regras, o que pode ter contribuído para a leitura de queda. Ainda não há indicação de que alunos estejam fora da escola sem estudo.

  • Dados recentes indicam que a queda não representa abandono em massa nem migração para o trabalho. A nova regra busca maior uniformidade entre as redes e continência de distorções anteriores.

O MEC segue monitorando a evolução das matrículas com a implementação de reformas recentes. A percepção geral é de que parte da redução decorre de ajustes administrativos, não de perda real de estudantes em massa.

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