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Migração: venezuelanos no Brasil e latinos indocumentados nos EUA

Migrantes venezuelanos no Brasil convivem com abrigo lotado e redes de apoio, enquanto imigrantes latinos na Califórnia movem estratégias educacionais para cidadania local

Josué Carlos Souza dos Santos – Foto: Arquivo pessoal
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  • O estudo aborda migração venezuelana no Brasil e imigrantes latinos indocumentados nos Estados Unidos, com foco em experiências de vida e subjetividade.
  • No Brasil, a pesquisa ocorreu em 2025 no maior abrigo de Boa Vista, Roraima (Rondon 1), com capacidade para 2.300 pessoas, usando narrativas autobiográficas e etnografia.
  • No Brasil, a análise parte de uma abordagem decolonial e fenomenológica, destacando trajetórias, identidades, gênero, educação e migração transnacional entre Venezuela e Brasil.
  • Nos Estados Unidos, o doutorando realizou trabalho voluntário no Immigration Institute of Bay Area, em Califórnia, estudando estratégias político-educacionais para a integração de imigrantes latinos indocumentados.
  • O estudo aponta a importância de redes de apoio, uso de Spanglish como sinal de adaptação cultural e a relação entre educação, cidadania e direitos (mesmo com status migratório ainda em avaliação).

A pesquisa aborda migração venezuelana no Brasil e a situação de latinos indocumentados nos Estados Unidos, com foco em experiências de acolhimento, educação e integração. O estudo envolve Josué Carlos Souza dos Santos, Gilvete de Lima Gabriel e Rebecca Tarlau, docentes e doutorandos.

Em 2025, a equipe realizou trabalho de campo no abrigo Rondon 1, em Boa Vista, Roraima, maior abrigo da América Latina, com capacidade para 2.300 pessoas. O objetivo foi mapear narrativas de migrantes venezuelanos e seus desdobramentos educativos.

A investigação utiliza uma abordagem fenomenológica e decolonial, valorizando trajetórias de vida. A metodologia privilegia narrativas autobiográficas e etnografia como ciência viva, sem protocolos formais fechados.

Mudança de tema: imigrantes latinos nos EUA

No doutorado sanduíche em Stanford, nos EUA, o foco passou a ser a integração de imigrantes latinos, especialmente indocumentados na Califórnia. A pesquisa analisa estratégias político-educacionais para a inclusão local.

O trabalho em solo norte-americano ocorreu no Immigration Institute of Bay Area (IIBA), com orientação de universidades brasileiras e norte-americanas. O estudo demonstra ações de cidadania ampliada pela extensão universitária.

A pesquisa identifica grupos de referência para imigrantes latinos: família, classes de cidadania, amizades, religião e projetos institucionais. Tais redes sustentam oportunidades, moradia e acesso a serviços.

Também se destaca o papel da língua como ponte cultural, com uso do Spanglish e do portunhol, reflexos da convivência entre espanhol e português na vida cotidiana. A educação aparece como lente de liberdade.

O que se observa é uma construção híbrida de identidade, onde migrantes constroem pertença na sociedade de acolhida, mesmo com status migratório ainda em avaliação. A narrativa aponta resistência e adaptação contínuas.

O estudo global reúne oito eixos temáticos que emergem das entrevistas e da imersão em comunidades de migrantes venezuelanos e latinos, destacando trajetórias, formação, parentalidade e redes coletivas.

As pesquisadoras ressaltam que migração é processo transnacional, não se encerra na fronteira. As ações de acolhimento e educação devem considerar as dinâmicas cotidianas, desejos de integração e direitos civis.

Este texto é resultado de pesquisa em campo, com aprovação ética no Brasil e nos EUA, e envolve cooperação entre universidades brasileiras, Stanford e parceiros locais. As conclusões destacam a importância de políticas públicas inclusivas.

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