- Novo indicador do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), em parceria com fundações e BID, aponta que 16% dos municípios têm pelo menos uma em cada dez crianças de quatro a cinco anos fora da creche ou pré-escola.
- Em média, 94,6% das crianças nessa faixa etária estão matriculadas, mas a parcela ausente ainda impacta o desenvolvimento social.
- A especialista Cláudia Costin afirma que o problema envolve tanto o poder público quanto as famílias: falta de vagas em algumas cidades e percepção insuficiente da importância dessa etapa.
- A creche, que atende de zero a três anos, não é obrigatória, embora seja direito do público e possa ser exigida na Justiça; há também deficiência de espaços adequados para crianças pequenas.
- Outros entraves incluem a formação e valorização de professores, além de transporte escolar, que ainda preocupa as famílias na decisão de enviar as crianças à escola.
Na prática, ainda não há universalização da educação infantil no Brasil. Embora a matrícula seja obrigatória a partir dos 4 anos, parte das crianças nessa faixa etária permanece fora das creches ou pré-escolas em diversas regiões.
Segundo indicador divulgado pelo Iede, em parceria com fundações e o BID, 16% dos municípios apresentam ao menos uma em cada dez crianças de 4 e 5 anos sem acesso à educação infantil. Ao todo, são 876 cidades.
Cláudia Costin, presidente do Instituto Salto, aponta que o problema envolve tanto o poder público quanto as famílias. Há cidades com falta de vagas, mas também há pais que subestimam a importância desse estágio do desenvolvimento.
Atualmente, 94,6% das crianças de 4 e 5 anos estão matriculadas. O restante, embora pequeno, faz diferença, já que a educação infantil além de letras e números favorece a convivência social e o desenvolvimento emocional.
Para Costin, o aprendizado vai além das atividades formais. O brincar e os momentos livres são essenciais, especialmente em famílias com menos oportunidades de convivência diária.
Apesar da obrigatoriedade começar aos 4 anos, as creches de 0 a 3 anos não são obrigatórias. Ainda assim, são um direito e devem ser oferecidas pelo Estado, podendo até ser exigidas na Justiça.
Desafios para o acesso
A especialista cita falta de espaços adequados, com áreas ao ar livre e materiais adequados. Investimento público específico para educação infantil pode reduzir esse déficit de estrutura.
A formação e a valorização dos docentes também aparecem como entraves. Em municípios, há carência de profissionais; tornar a carreira mais atrativa é apontado como prioridade.
Transportes escolares aparecem como obstáculo prático. Sem alternativas seguras, muitos pais se mostram hesitantes em mandar crianças pequenas para a escola.
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