- Fuvest celebra 50 anos e já proporcionou a aprovação de 387 mil pessoas; site será lançado para que aprovados revisem o nome na lista da USP.
- A prova surgiu em 1976 para reduzir influência de professores, tornou‑se menos conteudista e passou a incluir cotas raciais e sociais, além de mandar incluir apenas autoras mulheres na lista de livros obrigatórios.
- O atual diretor, Gustavo Mônaco, afirma não haver segurança para usar IA nem para criar nem corrigir questões, mantendo o método “artesanal” por considerar que funciona bem com pessoas.
- A única possibilidade discutida de uso de IA seria para analisar se uma questão fácil ou difícil seria previsível pela banca, não para correção de redações, que seguem avaliação humana em duas etapas cegas.
- Sobre custos e impacto, o vestibular envolve quase cem elaboradores na segunda fase cerca de quatro mil corretores, total aproximado de R$ 22 milhões; há 8.147 vagas na USP e o Enem ampliou o alcance geográfico.
A Fuvest completa 50 anos mantendo o modelo de seleção que, segundo a instituição, funciona com a participação humana. Em entrevista, o diretor Gustavo Mônaco descartou o uso da inteligência artificial na elaboração ou correção de questões, afirmando que o foco continua no desempenho dos candidatos e na integridade do processo. A celebração será marcada pelo lançamento de um site que relembra os aprovados para a USP.
A prova, criada em 1976 para reduzir a influência de professores, mantém o formato artesanal e rígido. Hoje, integra cotas sociais e raciais e traz a lista de obras com maior participação de autoras mulheres, anunciada para as etapas de literatura. A Fuvest afirma que não há planos de usar IA para correção de redações ou para montar as questões.
A instituição também ressalta que o uso de IA poderia introduzir vieses e reduzir a diversidade de repertórios. O diretor destaca que, mesmo com o avanço tecnológico, o modelo humano tem garantido maior robustez e transparência no processo avaliativo.
IA na prova: discutida, ainda sem aplicação prática
Segundo Mônaco, houve apenas discussões sobre possível uso da IA para prever o desempenho de questões. A ideia seria estimar quantas pessoas acertariam uma questão considerada fácil ou difícil, sem alterar a condução atual. Não há acordo para aplicação imediata.
O sistema de correção permanece com dois corretores cegos, seguidos por um terceiro, se necessário. A equipe argumenta que a avaliação humana permite observar criatividade e repertório dos candidatos, nuances que a IA não deve eliminar. A direção afirma não haver segurança em confiá-la integralmente ao algoritmo.
Custos, operações e fraude
Um vestibular da Fuvest envolve quase 100 elaboradores na primeira fase e cerca de 4 mil correções na segunda fase, com custo total de aproximadamente 22 milhões de reais. A fundação destaca que não tem fins lucrativos e valoriza a remuneração de profissionais que atuam há meio século.
Casos de fraude já ocorreram, inclusive com identificação de identidades falsas por meio de reconhecimento facial utilizado durante a aplicação. Em um episódio, a polícia civil foi acionada após perfis de candidatos serem confrontados com dados reais. Os registros reforçam a atuação de mecanismos de verificação ao vivo.
Acompanhamento e diversidade na lista de leitura
A Fuvest tem defendido a inclusão de autoras na lista de livros obrigatórios, com justificativas sobre qualidade e representatividade. A instituição vê a presença de autoras como parte da evolução histórica do vestibular, sem retirar relevância de autores consagrados já incluídos em gerações anteriores.
As cotas ampliaram o repertório temático das provas, incorporando questões relacionadas a escola pública, populações historicamente sub-representadas e desigualdades sociais. A banca afirma manter três listas de aprovados para assegurar participação equitativa, sem prejudicar o mérito.
Perspectivas para o futuro
O diretor afirma que a Fuvest continuará existindo enquanto a USP permanecer como referência. Apesar da alta procura e do número limitado de vagas, a instituição sustenta o modelo atual e a busca por aperfeiçoamentos que não comprometam a credibilidade do processo.
Apesar de avanços, a Fuvest não planeja tornar a inscrição ou a aplicação mais simples por meio de soluções tecnológicas que possam comprometer o rigor da seleção. A 50ª edição do vestibular é apresentada como marco histórico de continuidade entre tradição e evolução.
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