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Cursos de Medicina mais recentes são de instituições privadas, aponta estudo

Ieps aponta que piores cursos de Medicina são de instituições privadas recentes, com um terço dos concluintes abaixo do mínimo e desigualdade regional

30% dos cursos de medicina do país não obtiveram resultado satisfatório no Enamed
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  • Cerca de 30% dos cursos de medicina no Brasil tiveram desempenho insatisfatório no Enamed, com as piores notas concentradas em instituições privadas, recentes e com corpo docente menos graduado.
  • O Enamed é a avaliação federal que mede o aprendizado dos alunos de medicina e permite comparar instituições em todo o país.
  • O estudo aponta que, apesar do aumento de médicos no país, houve desigualdade regional e que ~um terço dos concluintes não atinge o padrão mínimo de proficiência.
  • Crescimento de cursos desde 2013 foi impulsionado pela Lei dos Médicos; o Ministério da Educação suspendeu a abertura de novos cursos por cinco anos a partir de 2018, até 2023, mas novas Faculdades continuaram abrindo.
  • Desempenho por tipo de instituição: federais aparecem com mais Conceitos 4–5; privadas com fins lucrativos têm mais Conceitos 1–2; privadas sem fins lucrativos ficam entre as duas.

O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) divulgou uma nota técnica sobre o desempenho das escolas de Medicina no Enamed, exame nacional que avalia o aprendizado dos graduados. O estudo aponta que 30% dos cursos tiveram resultado insatisfatório e que as instituições privadas dominam esse grupo. A divulgação ocorreu nesta segunda-feira, 4.

O Enamed entra em vigor em 2025 e começou a mostrar seus primeiros resultados em janeiro de 2026. Ao todo, 351 cursos foram avaliados em todo o Brasil, com 107 obtendo Conceito 1 ou 2, ou seja, desempenho abaixo do esperado. A nota técnica ressalta impactos da expansão de cursos.

Resultados por tipo de instituição indicam que federais costumam ter Conceitos 4–5, enquanto privadas com fins lucrativos apresentam mais Conceitos 1–2. Privadas sem fins lucrativos aparecem distribuídas de forma intermediária. O estudo analisa também o perfil docente.

Cursos fundados até 2012 exibem melhor desempenho, com mais Conceitos altos, em comparação aos abertos entre 2013 e 2017, e especialmente aos abertos a partir de 2018. O tempo de maturação institucional é destacado pelo IEPS como fator relacionado ao desempenho.

O documento aponta ainda que cursos com Conceitos 4–5 mantêm maior número de docentes, maior proporção de doutores e mais dedicação integral. A relação entre qualificação do corpo docente e o desempenho no Enamed é destacada pelo estudo.

Observa-se que a expansão da formação médica demanda monitoramento da qualidade do treinamento e da distribuição de médicos pelo país. A íntegra da nota técnica está disponível no site do IEPS.

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