- Em 2026, o MEC divulgou resultados do Exame Nacional de Formação Médica (Enamed): 204 cursos tiveram conceito satisfatório; 99 ficaram com notas 1 ou 2 e passam por supervisão; no total, 89.024 participantes foram avaliados.
- Dos 303 cursos avaliados da esfera federal, 107 obtiveram notas 1 ou 2; apenas 49 escolas alcançaram o conceito máximo, e 55% ficaram com conceito 3 ou 4.
- Ao todo, 22.411 médicos foram avaliados como inaptos para exercer a medicina, embora tenham CRM ativo; entre os formados, 15409 vêm de privadas com fins lucrativos, 9078 de privadas sem fins lucrativos, e 6501 de públicas federais.
- Entre as escolas privadas com fins lucrativos, 57% foram classificadas como insuficientes; houve 9 instituições privadas com nota máxima, incluindo a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (privada sem fins lucrativos).
- O debate ressalta risco de mercantilização no ensino médico, defende maior participação do SUS e a criação de modelos de formação com hospitais-escola e redes de atenção à saúde, além de rejeitar o provão para recém-formados como solução única.
No início de 2026, o MEC divulgou resultados do Enamed: 204 cursos de medicina do Sistema Federal de Ensino tiveram conceito satisfatório no Enade, enquanto 99 ficaram com notas 1 ou 2 e passarão por supervisão. O levantamento considerou 89.024 participantes entre estudantes e profissionais.
Entre formandos e quem fez provas para residências, 75% dos avaliados atingiram desempenho proficiente. No público geral, o índice de proficiência foi de 81%. No conjunto, 22.411 médicos foram considerados inaptos, mesmo com CRM ativo.
Do total de 303 cursos federais avaliados, 99 não obtiveram aprovação. Frequente entre os dados, 107 cursos foram classificados como insuficientes. Apenas 49 escolas (14%) tiveram nota máxima, 40 públicas entre elas, e 55% atingiram conceitos 3 ou 4.
Panorama atual
A título de comparação, 86,6% das escolas públicas estaduais e 83% das federais alcançaram níveis bons. Já entre as privadas com fins lucrativos, 57% foram classificadas como insuficientes. O restante manteve notas intermediárias ou altas.
Os dados destacam que 9 escolas privadas obtiveram nota 5, entre elas a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, uma instituição privada sem fins lucrativos. Entre as reprovações, 87 são de instituições privadas, com mensalidades elevadas em alguns casos.
Desigualdades e impactos
Entre os formandos de 2025, 15.409 vieram de privadas com fins lucrativos, 9.078 de privadas sem fins lucrativos e 6.501 de federais. A diferença de qualidade entre setores aponta para falhas na formação que podem afetar a assistência à população.
Especialistas e técnicos destacam a mercantilização do ensino médico nos últimos 20 anos, com criação de unidades voltadas ao lucro de grandes grupos. O resultado é uma parcela relevante de cursos com gestão e infraestrutura insuficientes.
Caminhos em debate
Há propostas em tramitação para um provão após a conclusão do curso, similar ao exame de bacharéis de direito. Profissionais questionam a medida, citando falhas estruturais no ensino e necessidade de melhoria contínua na formação e na prática clínica.
Segundo a Fapesp, o crescimento no número de médicos não se iguala à qualidade formativa nem à distribuição de serviços, especialmente entre áreas públicas e privadas. O debate envolve o papel do SUS e a integração entre ensino, saúde e tecnologia.
Perspectivas e próximos passos
Especialistas defendem redefinir o modelo de atenção à saúde, com participação multiprofissional e incorporação de novas tecnologias. Sugere-se criar hospitais-escola e ampliar parcerias público-privadas para fortalecer a prática clínica.
O ICEBERG do tema indica reformas profundas na educação médica, na avaliação de cursos e na gestão de recursos. O tema deverá ganhar novas análises e debates públicos nos próximos meses, sem conclusões já definidas.
Entre na conversa da comunidade