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Uso diário de tablet pode afetar aprendizado pré-alfabético, aponta estudo

Estudo internacional aponta que uso diário de telas associa-se a menor desempenho em literacia emergente e numeracia entre crianças de quatro a cinco anos no Brasil

Seu filho usa tablet todo dia? Estudo revela impacto no aprendizado antes da alfabetização
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  • Estudo internacional IELS, divulgado online em 5 de novembro, mostra relação entre uso diário de telas e menor desempenho em crianças de 4 a 5 anos em Ceará, Pará e São Paulo, com 2.598 participantes em 210 escolas (80% públicas).
  • Pontuação média de literacia emergente ficou em 502 pontos; numeracia emergente saiu em 456 pontos, abaixo da média internacional (-44). Há maior desigualdade na numeracia entre classes sociais.
  • Em funções executivas, Brasil fica abaixo da média internacional nas três áreas; em habilidades socioemocionais, empatia e identificação de emoções ficaram próximas ou acima da média, conforme domínio.
  • Ambiente de aprendizagem em casa: leitura de livros é pouco frequente (53% nunca/raramente), atividades ao ar livre ocorrem em 37% das famílias, e 56% conversam com a criança sobre sentimentos 3 a 7 dias por semana.
  • Uso de telas todos os dias pelos pequenos está em 50,4% das famílias; associa-se a quedas de cerca de 10 pontos na literacia emergente e 11 pontos na numeracia emergente.

O estudo internacional IELS revelou, nesta terça-feira (5), ligação entre uso diário de telas e desempenho de crianças na primeiro infância. A pesquisa avaliou 2.598 estudantes de 4 a 5 anos de Ceará, Pará e São Paulo, com foco em alfabetização emergente, matemática inicial e habilidades socioemocionais.

Coordenação brasileira ficou a cargo de pesquisadores da LaPOpE/UFRJ, Mariane Koslinski e Tiago Barthololo. A amostra teve 210 escolas, sendo 80% públicas e 20% privadas, com 34,7% de capitais e 65,3% do interior. O objetivo foi mapear o desenvolvimento nesse grupo etário.

Amostra contou com 50,7% de meninos e 49,3% de meninas, além de dados sobre renda, raça/cor, educação especial e recebimento de Bolsa Família. Os resultados ajudam a entender desigualdades regionais e sociais no aprendizado inicial brasileiro.

Principais resultados

Literacia emergente ficou em 502 pontos, próximo da média internacional. Já a numeracia emergente ficou em 456, abaixo da média global em 44 pontos, destacando desigualdades entre famílias de diferentes níveis socioeconômicos.

Habilidades socioemocionais mostraram performance elevada em empatia e identificação de emoções, com 491 a 501 pontos, respectivamente. Observou-se que atividades como ouvir histórias ajudam mais o desenvolvimento da linguagem do que o raciocínio matemático inicial de forma sistemática.

Desigualdades por renda

Diferenças aparecem ao comparar faixas socioeconômicas. Na literacia, 487 pontos para baixo e 521 para alto, diferença de 34 pontos. Na numeracia, 429 versus 484, diferença de 55 pontos. As disparidades em numeracia emergente são ainda maiores, segundo os pesquisadores.

Memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade mental ficaram abaixo da média internacional em todas as áreas, evidenciando desigualdade de acesso a práticas que fortalecem funções executivas.

Ambiente de aprendizagem em casa

A leitura compartilhada ocorre de forma raramente frequente em 53% das famílias, e apenas 14% dos responsáveis lêem com as crianças de 3 a 7 vezes por semana. A média internacional é de 54% para essa prática.

Atividades ao ar livre aparecem em 37% dos lares, abaixo da média internacional de 46%. Conversas sobre sentimentos acontecem de 3 a 7 dias por semana em 56% dos lares, menor que a média global de 76%.

Tiago Barthololo destacou que a leitura compartilhada é o item com maior diferença. Menos de 15% das famílias brasileiras relatam essa prática três dias ou mais, contra cerca de 54% internacionalmente.

Uso de dispositivos digitais

O uso diário de telas por crianças é comum, mesmo com orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria. Entre as famílias, 50,4% disseram que a criança usa dispositivos todos os dias. Outros 32,9% usam semanalmente, e 11,4% nunca ou quase nunca.

A pesquisa associou o uso diário de telas a quedas nos desempenhos: cerca de 10 pontos na literacia emergente e 11 na numeracia emergente, em média, em comparação com crianças que não usam telas diariamente.

Dados demográficos da primeira infância no Brasil

O país tem aproximadamente 18 milhões de crianças de até 6 anos, sendo 7,5 milhões na faixa de 4 a 6 anos. Meia-entrada são famílias em situação de baixa renda, com cerca de 10 milhões nesse grupo, representando 55,4% do total.

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