- O 4º Encontro de Cultura e Extensão das Universidades Estaduais Paulistas ocorreu em Campinas, nos dias 4 e 5 de maio, sediado pela Unicamp, com a USP e a Unesp como parceiras.
- O objetivo foi debater os desafios da consolidação da extensão universitária por meio de palestras, debates e grupos de trabalho.
- O pró-reitor da USP, Amâncio Jorge de Oliveira, destacou cinco grandes obstáculos: heterogeneidade conceitual, curricularização burocrática sem incentivos, necessidade de incentivos na carreira de servidores e docentes, demanda por política estável de fomento e aprimoramento de métricas de impacto.
- Os debates também abordaram a importância de editais de longo prazo (Cepids), uso de ferramentas como inteligência artificial para ampliar impactos e a visão de extensão como produção de ciência, não apenas transferência de conhecimento.
O4º Encontro de Cultura e Extensão das Universidades Estaduais Paulistas ocorreu nos dias 4 e 5 de maio, no Centro de Convenções da Unicamp, em Campinas. O evento foi sediado pela Unicamp e contou com a participação da USP e da Unesp. O objetivo foi debater os desafios da extensão universitária e buscar soluções integradas entre as três instituições.
A reunião reuniu pró-reitores e dirigentes das três universidades para discutir estratégias de enfrentamento das questões transversais da extensão. O encontro é anual, em formato rotativo, e visa fortalecer a articulação entre as instituições estaduais paulistas.
Desafios centrais da extensão
O debate destacou cinco desafios principais. Primeiro, a heterogeneidade conceitual, com correntes que associam extensão a assistencialismo ou a empreendedorismo, o que dificulta a definição de políticas e a prática institucional. Segundo, a curricularização da extensão sem incentivos reais para carreiras de docentes e servidores. Terceiro, a necessidade de políticas estáveis de fomento, semelhantes aos Cepids, para garantir atuação de longo prazo. Quarto, a avaliação de impactos, com métricas ainda concentradas em eventos; há aposta em ferramentas de IA para ampliar o alcance. Quinto, a escalabilidade da extensão para ações de grande escala, integradas às políticas públicas.
Entre os participantes, Amâncio Jorge de Oliveira (USP) enfatizou a importância da articulação entre as três redes para consolidar a extensão. Raul Borges Guimarães (Unesp) defendeu a visão da extensão como produção de ciência, não apenas transferência de saber. Sylvia Furegatti (Unicamp) destacou a democratização do ensino superior por meio da extensão e a necessidade de revisões constantes dos balanços de ações e financiamentos.
Oliveira citou a Escola Politécnica como exemplo de concurso estratégico que valorizou a extensão na progressão de carreira de docentes. Guimarães reiterou que o saber não pode ser transferido de forma mecânica, defendendo o diálogo com diferentes segmentos da sociedade. Furegatti enfatizou que a extensão requer renovação constante para sustentar a democracia e a relação com o território.
Perspectivas e parceiros
A discussão também apontou a importância de reconhecer a extensão como prática interdisciplinar e colaborativa. As universidades destacaram a necessidade de valorizar o extensionista e a integração entre pesquisa e atuação social. O encontro reforçou a ideia de que projetos ampliados e articulados com políticas públicas podem elevar o peso da extensão na agenda institucional.
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