- A China pretende acabar com as turmas de elite nas escolas, adotando alocação aleatória de alunos e distribuição igualitária de professores em 2026.
- A medida proíbe as chamadas turmas-chave que concentram os melhores alunos e recursos, buscando reduzir a desigualdade na educação obrigatória.
- Em Cantão, Guangdong, há prática histórica de classificações por nível que impactam o desempenho no exame Zhongkao e o acesso a escolas de maior prestígio.
- Shenzhen já eliminou turmas-chave em 2025 e adotou alocação aleatória, mas surgem efeitos indiretos como maior pressão nos cursos extracurriculares e mudanças no mercado imobiliário de distritos com boas escolas.
- Autoridades defendem ensino misto e instrução diferenciada como objetivo, enquanto críticos temem dificuldades de implementação e transparência.
A China está promovendo mudanças significativas no sistema de ensino para reduzir a hierarquia entre turmas. Novas políticas em 2026 determinam alocação aleatória de alunos e distribuição igualitária de professores, com a proibição de turmas-chave, vistas como privilegiadas. O objetivo é diminuir a desigualdade na educação obrigatória.
As mudanças atingem o núcleo do modelo de seleção escolar: turmas por nível acadêmico, usadas há décadas para separar estudantes de alto rendimento. Em Cantão, Guangdong, as turmas de elite costumavam concentrar boa parte dos melhores alunos e recursos, moldando percursos futuros.
Dados da região indicam que a cidade concentra cerca de 10% dos alunos em turmas de 2º escalão ou superior, refletindo a linha de corte do zhongkao, exame de admissão ao ensino médio. A relação entre níveis de turma e notas do exame é observável, com turmas superiores apresentando médias próximas ao limite de classificação.
Especialistas apontam que as turmas de elite aceleram o conteúdo, pela maior dedicação de docentes ao ensino. Em turmas regulares, docentes relatam dedicar mais tempo à gestão de sala de aula, o que pode limitar o ritmo de aprendizagem. A reforma propõe educar sem segmentação rígida desde o fundamental.
Defensores da mudança argumentam que a separação fixa de alunos não é necessária em fases iniciais e pode perpetuar vantagens. Críticos, porém, temem que turmas misturadas dificultem o ensino para alunos com diferentes níveis de habilidade, sem garantir acesso equitativo a recursos.
A implementação passou a ser monitorada por uma plataforma única em Cantão, com alocação centralizada de alunos e professores. Resultados são divulgados publicamente, buscando reduzir a concentração de recursos e a competição por vagas, segundo autoridades locais.
O caso de Shenzhen, província vizinha, serve de referência. Em 2025, a cidade aboliu turmas-chave e adotou alocação aleatória supervisionada. Embora tenha reduzido rankings formais, relatos indicam surgimento de formas de diferenciação por meio de atividades extracurriculares de elite e grupos informais.
Impactos indiretos já aparecem: famílias recorrem a cursos fora da escola para manter vantagem competitiva, enquanto controles mais rigorosos sobre recrutamento antecipado de escolas de elite são reforçados. A incerteza sobre o que funciona acende a ansiedade entre pais e alunos.
Essa transformação também repercute no mercado imobiliário. Em Shenzhen, imóveis em áreas de boa performance escolar cresceram, à medida que famílias buscam acesso a redes de alunos mais fortes, ampliando o peso do ambiente comunitário na decisão de compra.
Autoridades de educação reconhecem que a meta real é o ensino de aptidão em turmas mistas, com instrução diferenciada e atividades extracurriculares. Na prática, a adoção dessas estratégias em larga escala exige coordenação e recursos, com efeitos ainda variáveis.
A reportagem acompanha o debate entre manter a flexibilidade didática e assegurar igualdade de oportunidades. Entre pais, expectativas variam, e a transparência das mudanças ainda é questionada.
Esta matéria foi baseada em informações da Caixin Global, com tradução e republicação pelo Poder360, sob acordo de compartilhamento de conteúdo.
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