- Estudantes em greve da USP ocuparam o saguão da reitoria na tarde de quinta-feira, após entrarem no prédio e derrubarem portas de vidro; cerca de quatrocentos alunos participaram da manifestação.
- As notas públicas de institutos e faculdades da USP criticaram a ocupação, destacando invasão do espaço institucional e danos ao patrimônio; o movimento seria uma resposta à decisão de encerrar as negociações pela reitoria.
- A Faculdade de Medicina ressaltou que divergências devem ser resolvidas pelo debate institucional; a Faculdade de Direito garantiu o direito de manifestação, desde que não haja violência ou depredação; outras unidades defenderam diálogo, legitimidade das reivindicações e preservação do patrimônio.
- Na sexta-feira, a Polícia Militar isolou o prédio ocupado e bloqueou acessos à rua da reitoria; relataram interrupção de água e energia no local.
- A ocupação ocorreu dias após a reitoria ter anunciado o fim das negociações sobre reajuste das bolsas do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), com o DCE avaliando o reajuste como insuficiente e defendendo a retomada do diálogo.
A ocupação da reitoria da USP ganhou contornos formais nesta semana, após estudantes em greve tomarem o prédio na tarde de quinta-feira, 7 de maio de 2026. Cerca de 400 jovens participaram do protesto, em protesto contra políticas de moradia, alimentação e infraestrutura. Não houve confrontos entre manifestantes e policiais, mas houve entrada no saguão central após a derrubada de portas de vidro.
Institutos e faculdades emitiram notas públicas criticando a invasão e o dano ao patrimônio. A reitoria alegou ter encerrado as negociações sobre as pautas estudantis, o que motivou a ocupação conforme avaliação dos organizadores. Estudantes e internautas repudiaram a posição institucional, apontando que a ocupação ocorreu em resposta ao encerramento de tratativas.
A Faculdade de Medicina afirmou que divergências devem ser resolvidas pelo debate institucional. A Faculdade de Direito ressaltou que o direito de manifestação é legítimo, mas que violência e depredação não ajudam as reivindicações. A Escola de Comunicações e Artes destacou o diálogo como principal instrumento de negociação. A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas alertou que a ocupação pode descaracterizar as demandas. Já a Escola Politécnica e a Faculdade de Economia destacaram convívio democrático e retorno às atividades, com fim das negociações.
A ocupação
O movimento ocorreu durante protesto ligado à greve das universidades estaduais paulistas. Ato começou com acampamento em frente à entrada e, ao fim da tarde, parte do grupo ingressou no prédio. Polícia Militar acompanhou, sem registro de confronto, mas a área foi isolada na manhã seguinte, com bloqueio de acessos da rua da Reitoria. Estudantes informaram cortes de água e energia no local.
A ocupação ocorreu dias após a reitoria anunciar o fim das negociações sobre o reajuste das bolsas do PAPFE, que passaria de 885 para 912 reais. O DCE classificou a proposta como insuficiente e apontou que a ação visa retomar o diálogo com a gestão da universidade.
Expansão da greve
A mobilização se espalhou pelas três universidades estaduais paulistas — USP, Unesp e Unicamp — com pautas de permanência estudantil, moradia, alimentação e infraestrutura. Na USP, a greve já envolve mais de 100 cursos desde o dia 14 de abril, com reivindicações sobre restaurantes universitários e infraestrutura de moradia, incluindo o CRUSP.
Na Unicamp, o movimento discute expansão sem precarização, criticando a criação de novos cursos sem ampliação de moradia, infraestrutura e contratação de servidores. Entre as demandas estão saúde, transporte e assistência estudantil. Em Limeira, a ausência de moradia universitária é destacada.
Na Unesp, estudantes aprovaram paralisações e discutem uma greve estadual. Principais pautas incluem falta de docentes, reformas atrasadas, restaurantes universitários e valores baixos de auxílios de permanência. A moradia estudantil ainda é restrita a parte dos campi.
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