- O livro Like, Follow, Subscribe expõe a transformação de crianças em influencers e o custo da privacidade em troca de lucros bilionários.
- No cenário, contas chegam a cobrar até US$ 200 mil por post patrocinado, gerando entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões por ano.
- Nos Estados Unidos, apenas cinco estados possuem leis que exigem que os pais compartilhem ganhos das crianças, com decisões sobre consentimento, conteúdo e tempo de filmagem ficando a cargo dos pais.
- Casos retratados vão desde crianças gravadas durante momentos de dor ou convulsões até vídeos de acidentes, com preocupações sobre bem-estar infantil e exploração.
- A obra também aborda famílias influenciadoras, especialmente comunidades mórmons, e aponta riscos de predadores online, destacando a necessidade de proteção à infância na internet.
O livro Like, Follow, Subscribe revela como crianças são transformadas em estrelas de redes, gerando um mercado bilionário a partir da exposição pública desde o nascimento. A autora descreve a prática de pais que registram tudo, desde ultrassons até primeiros passos, convertendo momentos íntimos em conteúdo lucrativo.
Segundo Fortesa Latifi, o fenômeno do kidfluencing envolve famílias que atuam como produtores e empresários, definindo horários de gravação e orientando seus filhos para posts patrocinados. A obra aponta que grandes contas chegam a cobrar até 200 mil dólares por postagem, com ganhos anuais entre 8 e 10 milhões de dólares.
O livro também aponta falhas regulatórias, especialmente nos Estados Unidos, onde apenas cinco estados exigem participação de menores nos ganhos. Questões de consentimento, controle de conteúdo e tempo de filmagem costumam ficar a cargo dos pais, sem salvaguardas padronizadas.
Desdobramentos econômicos e regulatórios
A publicação destaca que a indústria funciona como uma linha de produção familiar, com marcas de carrinhos, fraldas e testes de gravidez buscando parcerias com contas populares. O lucro é impulsionado pela viralização de conteúdos, inclusive de momentos íntimos, como rotinas de higiene e mudança de rotina.
A reportagem cita exemplos de sucesso, como Ryan Kaji, que acumula milhões de assinantes e grandes receitas. Entretanto, o foco do livro recai sobre riscos, inclusive para as próprias crianças, com relatos sobre conteúdos que expõem ferimentos ou necessidades médicas.
Riscos, ética e casos emblemáticos
Casos citados incluem famílias cuja exposição envolve punições ou situações de risco para as crianças. A obra questiona se a viralização compensa o eventual dano à privacidade e à infância. Em alguns estados, surgem debates sobre o direito das crianças de receber parte dos ganhos futuros.
A obra também aborda ameaças de predadores e usos indevidos da imagem infantil. Latifi cita situações em que crianças são perseguidas por estranhos na escola ou expostas a conteúdos inadequados, levantando questões sobre proteção e responsabilidade dos pais.
Cenário social e perspectivas
O livro provoca reflexão sobre o papel da religião e de comunidades específicas na promoção de conteúdos infantis. Há relatos de famílias que utilizam a plataforma para promover valores e estilos de vida, enquanto outros casos expõem pressões econômicas que impulsionam a exposição.
Enquanto a discussão pública avança, Utah aprovou em 2025 uma lei que protege artistas mirins, impondo salvaguardas financeiras e possibilitando remoção de conteúdo no futuro. A obra aponta a necessidade de equilíbrio entre liberdade de expressão e proteção infantil.
Conclusões da obra
Like, Follow, Subscribe se destaca pela apuração, mas não oferece soluções definitivas para a indústria. A autora ressalta dilemas éticos e a complexidade de regular conteúdos envolvendo menores.Pais podem reconsiderar a exposição de ultrassons a conteúdos diários de seus filhos.
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