- O professor Mário Sérgio Cortella afirmou que lideranças do futuro devem ser intelectualmente humildes; dúvidas, não certezas, movem a inovação.
- Em palestra no Transformation Talks, promovido pela Robert Half, ele destacou que a pior postura é parecer ter todas as respostas em um mundo em mudança rápida.
- Cortella apresentou três trilhas para liderança: generosidade mental, coerência ética e humildade intelectual, com foco em perguntar o que se ignora e ensinar o que se sabe.
- Sobre motivação e clima de trabalho, o filósofo disse que não se motiva pessoas por decreto, apenas se estimula; o estresse decorre de esforço sem sentido.
- O tema IA apareceu na conversa: ele pediu perguntas sobre quem ganha com a tecnologia e enfatizou que a convivência humana continua indispensável, com a ideia de que a colaboração entre gerações é essencial.
Mário Sérgio Cortella afirmou que lideranças devem ser intelectualmente humildes para navegar em um mercado de trabalho em rápida transformação. O professor e filósofo participou do Transformation Talks, evento promovido pela Robert Half, nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, em São Paulo.
Segundo Cortella, a pior postura é a de líderes que acreditam ter todas as respostas. Em um cenário com guerras, disputas tarifárias, excesso de informações e mudanças aceleradas, a dúvida impulsiona a inovação. A certeza, para ele, tende a gerar repetição.
O filósofo destacou que lideranças atuais precisam menos rigidez e mais capacidade de formular perguntas relevantes. Em sua visão, clareza sobre quais dúvidas manter é tão importante quanto a tomada de decisão. A presença de dúvidas evita modelos prontos e engessados.
Liderança no cenário atual
Cortella apresentou a ideia de humildade intelectual como elemento indispensável em equipes complexas e colaborativas. A pessoa humilde reconhece limites e admite que não está sozinha na busca por conhecimento. A complexidade atual exige atuação compartilhada.
O especialista delineou três trilhas virtuososas para organizações: generosidade mental, coerência ética e humildade intelectual. Ensinar o que se sabe, praticar o que se ensina e perguntar o que se ignora são pilares citados pelo professor.
Ao responder perguntas do público, Cortella discutiu o desgaste de equipes. Para ele, é preciso diferenciar cansaço de estresse e identificar o que gera esforço sem sentido. O estresse, segundo ele, tende a piorar quando o trabalho não tem significado.
Inteligência artificial e o tempo
A IA foi tema de outra parte da conversa. O professor enfatizou que o avanço tecnológico exige perguntas constantes sobre quem se beneficia. Ferramentas digitais podem ampliar capacidades, mas não substituem a convivência presencial.
Cortella usou a metáfora da faca para indicar que a tecnologia pode servir a propósitos diferentes conforme a escolha das pessoas. Ele também comentou o choque geracional, destacando que a urgência das novas gerações pode acelerar mudanças positivas, desde que haja aprendizado mútuo entre jovens e trabalhadores mais experientes.
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