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Matrículas no ensino superior mais que dobraram no mundo, aponta UNESCO

Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aponta crescimento global de matrículas para 269 milhões em 2024, mas desigualdades regionais persistem

Estudantes chegam ao Centro Universitário do Distrito Federal, para o segundo dia de prova do Enem 2020
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  • As matrículas no ensino superior chegaram a 269 milhões em 2024, mais que o dobro do registrado em 2000.
  • A participação da população em idade de ensino superior (18 a 24 anos) passou a 43%.
  • Existem grandes disparidades regionais: 80% dos jovens na Europa Ocidental e na América do Norte estão matriculados, enquanto na África Subsaariana é de 9%.
  • As instituições privadas representam cerca de um terço das matrículas globais; em países como Brasil, Chile, Coreia do Sul e Japão, quatro em cada cinco estudantes estudam em privadas. Além disso, apenas um terço dos países tem ensino superior público gratuito.
  • A mobilidade internacional alcançou 7,3 milhões de estudantes em 2024, o que representa 3% do total, com metade migrando para Europa e América do Norte.

O total de estudantes matriculados no ensino superior no mundo mais que dobrou nas últimas duas décadas, passando de 100 milhões em 2000 para 269 milhões em 2024. O dado integra o primeiro relatório global da Unesco sobre tendências do ensino superior, divulgado em Paris nesta terça-feira 12. O estudo reúne informações de 146 países.

A pesquisa aponta que 43% da população em faixa de frequência típica (18 a 24 anos) está matriculada hoje. Mesmo com a expansão, existem grandes diferenças regionais: 80% dos jovens na Europa Ocidental e na América do Norte; 59% na América Latina e Caribe; 37% nos Estados Árabes; 30% no Sul e Oeste da Ásia; 9% na África Subsaariana.

A participação de instituições privadas permanece em cerca de um terço das matrículas globais, com maior peso na América Latina e Caribe (49% em 2023). Em países como Brasil, Chile, Coreia do Sul e Japão, quatro em cada cinco estudantes estudam em instituições privadas. Apenas um terço dos países oferece ensino superior público gratuito por lei.

Mobilidade

No período analisado, a mobilidade internacional triplicou, de 2,1 milhões em 2000 para quase 7,3 milhões de estudantes estudando no exterior em 2024. Mesmo assim, apenas 3% do total global de estudantes se beneficia, com grandes diferenças entre regiões.

Sete países — Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia — recebem metade dos estudantes internacionais. Turquia e Emirados Árabes Unidos aparecem como recipientes em crescimento, com pelo menos quintuplicação de estudantes nos últimos dez anos.

A pesquisa mostra também maior mobilidade intrarregional na América Latina e Caribe, onde o compartilhamento de destinos subiu de 24% para 43% entre 2000 e 2022; Argentina é o principal destino. Estudantes do mundo árabe passaram a concentrar-se mais nos países do Golfo e na Jordânia.

Gênero

As mulheres já superam os homens em matrículas globais em 2024, com 114 mulheres para cada 100 homens. A paridade esbarra na África Subsaariana, onde ainda há menores taxas de matrícula e conclusão. Ásia Central e Sul da Ásia apresentaram avanços significativos, atingindo paridade em 2023.

Apesar da melhoria, as pesquisadoras continuam sub-representadas em doutorados e ocupam cerca de um quarto dos cargos de liderança acadêmica. O relatório aponta desafios de equidade, qualidade e financiamento para ampliar o acesso.

Passaporte e financiamento

A Unesco utiliza o Passaporte de Qualificações para facilitar o reconhecimento de estudos de pessoas refugiadas e deslocadas. O instrumento já opera no Iraque, Quênia, Uganda, Zâmbia e Zimbábue, com planos de expansão. Centenas de candidatos já receberam o passaporte.

O relatório revela ainda que o investimento público global no ensino superior fica em torno de 0,8% do PIB. O estudo destaca a necessidade de modelos de financiamento mais inclusivos para sustentar a expansão e melhorar a qualidade.

Conectando tecnologia e qualidade

Apesar de o uso de tecnologias digitais e IA crescer, apenas 20% das universidades dispunham, em 2025, de uma política formal sobre IA. A Unesco conclui que o crescimento das matrículas exige padrões de qualidade mais firmes e acesso ampliado para grupos desfavorecidos, com financiamentos justos e estáveis.

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