- Alergia alimentar grave pode levar a uma anafilaxia, que exige reconhecimento rápido na escola para evitar risco de vida.
- A Campanha Nacional de Conscientização sobre Alergia Alimentar, da ASBAI, ocorre de 11 a 17 de maio com o tema “Anafilaxia não espera. A escola precisa estar pronta”.
- Dados do Registro Brasileiro de Anafilaxia apontam que 42,1% dos casos são desencadeados por alimentos, incluindo atividades escolares e trocas de lanche.
- Medidas mínimas: conhecer a alergia, ter plano de ação claro, capacitar toda a equipe e manter medicações acessíveis, mesmo diante de possível ausência da caneta de adrenalina.
- O manejo envolve evitar bullying, acolher as famílias e garantir que a criança possa participar plenamente das atividades escolares com segurança.
Uma campanha divulgada pela ASBAI alerta para o risco de alergias alimentares na escola, especialmente a anafilaxia, que pode surgir de forma rápida e colocar a vida em perigo. A iniciativa ocorre entre 11 e 17 de maio, com o tema Anafilaxia não espera. A escola precisa estar pronta.
A ideia é manter a escola como foco da discussão, pois merenda, troca de lanches, festas e atividades com embalagens reutilizáveis podem envolver alérgenos. Dados do Registro Brasileiro de Anafilaxia indicam que 42,1% dos casos estão ligados a alimentos.
A médica Germana Pimentel Stefani, vice-coordenadora do Departamento Científico de Alergia Alimentar da ASBAI, explica que o contato com alimentos é cotidiano no ambiente escolar e que a anafilaxia pode ocorrer mesmo na primeira exposição.
Sinais de alerta
Segundo a especialista, a reação é grave quando dois ou mais sistemas do corpo são afetados. Os sintomas aparecem em minutos, mas podem ocorrer até duas horas após a exposição, incluindo pele, respiração, trato gastrointestinal e alterações comportamentais.
Casos menos frequentes podem surgir de forma tardia, sem pele, com vômitos intensos, prostração e desidratação entre uma e quatro horas após o alimento. Por isso, toda reação deve ser avaliada com rapidez.
Cuidado com a alimentação escolar
O estudo aponta que, na população infantil, o papel da alimentação na escola é central. Trocas de lanche, doces de uso em atividades, feiras e atividades com materiais recicláveis ampliam as possibilidades de exposição a alérgenos, principalmente em festas juninas com amendoim.
Atenção também se estende a caixas, garrafas e potes usados para armazenar alimentos, que podem carregar traços de alérgenos, exigindo vigilância constante durante todo o período escolar.
Medidas mínimas na escola
Para receber uma criança com alergia, é imprescindível o conhecimento sobre alergias, os riscos e o manejo de crises. A instituição deve adotar uma política anti-bullying, acolhimento às famílias e treinamento de toda a equipe, incluindo merendeiras, professores e portaria.
É essencial ter um plano de ação claro, com identificação da criança, medicações e orientações objetivas para agir em caso de reação, acessível a todos.
Emergência e adrenalina
O maior risco em uma situação de emergência é não agir. O plano de ação deve ser executado rapidamente, com medicações ajustadas ao peso da criança e sem necessidade de autorização familiar para ser posto em prática.
A dificuldade de acesso à adrenalina autoinjetável é um gargalo no Brasil. Mesmo sem o dispositivo, a escola deve reconhecer a anafilaxia e acionar rapidamente o SAMU 192, mantendo a criança incluída nas atividades escolares.
Proteção e inclusão
Além da segurança física, a escola precisa zelar pela saúde mental da criança, evitando bullying e isolamento. A comunicação com a turma deve promover inclusão e respeito, evitando situações de risco ou constrangimento.
A criança tem o direito de frequentar a escola com normalidade, participando de atividades e convivência com os colegas, desde que protegida por um conjunto de medidas preventivas e de resposta rápida.
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