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Ensino superior não acompanha demanda por habilidades em IA, diz estudo

Pesquisa revela descompasso entre ensino superior e mercado de IA: 42% dos alunos sem diretrizes e 30% escondem uso, aumentando a urgência de regras e prática.

Estudantes durante a primeira fase da Fuvest 2025, em São Paulo
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  • Uma pesquisa da Pearson e da AWS Web Services, com 2.711 pessoas em seis países, aponta descompasso entre ensino superior e mercado na área de IA no Brasil.
  • Quatro em cada dez gestores ouvidos afirmam que o ensino acompanha as demandas, mas 53% dos empregadores dizem ter dificuldade em encontrar graduados com as habilidades necessárias.
  • No Brasil, 42% dos alunos dizem não receber diretrizes claras sobre o uso de IA na rotina acadêmica e 30% recorrem à IA sem que o professor saiba, caracterizando o chamado shadow AI.
  • Universidades brasileiras como USP, Unicamp e Unesp estão criando protocolos para o uso de IA, enquanto o Conselho Nacional de Educação discute regras que vão da educação básica ao ensino superior.
  • Empregadores destacam deficiências na capacidade de avaliar criticamente resultados gerados por IA; competências valorizadas incluem comunicação, colaboração e adaptabilidade, com ênfase em pensamento crítico e aplicação prática.

A pesquisa conduzida pela Pearson e pela AWS Web Services revela que a IA já ocupa espaço nas salas de aula e no mercado de trabalho, mas há um descompasso entre o que o ensino oferece e o que o mercado exige. Em seis países, incluindo o Brasil, foram ouvidas 2.711 pessoas, entre gestores, professores, empregadores e estudantes.

No Brasil, 78% dos gestores e educadores afirmam que o ensino superior atende às demandas do mercado, enquanto 53% dos empregadores discordam dessa avaliação, afirmando dificuldade em encontrar graduados com as habilidades necessárias.

Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil, aponta que o ritmo acelerado das mudanças cria duas leituras distintas sobre a preparação do aluno. O meio acadêmico mede sucesso por aprovação e titulação, enquanto o mercado avalia prontidão desde o primeiro dia.

42% dos alunos brasileiros dizem não receber diretrizes claras sobre o uso de IA na rotina acadêmica, e 30% afirmam manter uso de IA em segredo com os professores, configurando o que a pesquisa descreve como um vácuo institucional.

Para a executiva, o caminho é trazer o uso de IA para o centro da aprendizagem com regras claras, transparência e planejamento pedagógico. A sugestão é evoluir para avaliações que valorizem processo, pensamento crítico e aplicação prática.

Universidades de ponta no Brasil já trabalham com protocolos de IA. USP, Unicamp e Unesp definem regras para o uso da IA, enquanto no âmbito nacional o Conselho Nacional de Educação discute diretrizes para todo o ensino, da educação básica ao superior.

Os empregadores destacam que a capacidade de avaliar criticamente resultados gerados pela IA é a competência mais fraca entre formandos, enquanto comunicação, colaboração e adaptabilidade aparecem como prioritárias.

O estudo também aponta que estudantes dominam o acesso às ferramentas, mas não aplicam esse conhecimento de forma prática. Apenas 13% dos gestores avaliam o conhecimento de docentes em IA como muito forte.

Para a líder da Pearson, o uso autodidata da IA não substitui o pensamento crítico. O mercado busca profissionais que formem perguntas, interpretem resultados e param decisões, indo além de operar uma ferramenta.

A maior preocupação não é a eficiência da IA, e sim a autonomia intelectual dos profissionais. O objetivo da educação superior é ampliar a capacidade de pensar, com IA, e não substituí-la.

Estudantes e empregadores concordam que a experiência prática com IA é urgente. A falta de ambiente de aplicação real faz com que as empresas assumam parte do treinamento básico quando a universidade não entrega.

Segundo Nespoli, a relevância do diploma pode cair se as universidades não acompanharem as transformações tecnológicas. A via de mão dupla entre academia e empresas é destacada como essencial para formar alunos mais preparados.

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