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Ensino superior no Brasil teve amplo acesso, resultados limitados

Brasil amplia o acesso ao ensino superior, mas a retenção e a qualidade caem: apenas 24% dos brasileiros entre 25 e 34 possuem diploma

A UFGD deixou de ser a principal universidade pública do Mato Grosso do Sul, perdeu relevância entre as universidades do Centro-Oeste, deixou de figurar entre as principais instituições de ensino superior federal (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)
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•Relatório da OCDE mostra que o Brasil tem alto abandono na graduação, com cerca de 25% dos estudantes desistindo no primeiro ano, quase o dobro da média OCDE (13%).

•Apenas 24% dos brasileiros entre 25 e 34 anos possuem diploma de ensino superior, menos de metade da média OCDE (49%).

•O país investe cerca de 4,4% do PIB em educação e gasta cerca de US$ 15.600 por estudante por ano, números próximos aos da OCDE, mas com baixa eficácia na educação superior.

•A expansão ocorreu principalmente pelo setor privado e pela educação a distância (EaD): hoje 88% das instituições são privadas, com 78% das matrículas (9,4 milhões de estudantes).

•A relação aluno-professor é muito desigual: em instituições públicas é de cerca de 10 alunos por docente; nas privadas chega a 62, refletindo desafios de qualidade e mediação pedagógica.

Dados da OCDE apontam problemas estruturais no ensino superior brasileiro, afetando formação e competitividade do país. O relatório Education at a Glance 2025 revela alta evasão e baixa conclusão, com impactos sobre o desenvolvimento econômico.

A taxa de evasão é alta: cerca de 25% dos estudantes brasileiros abandonam a graduação no primeiro ano, quase o dobro da média OCDE, de 13%. O dado evidencia fragilidades de retenção no início do curso.

Apenas 24% dos brasileiros entre 25 e 34 anos possuem diploma de ensino superior, menos da metade da média OCDE, que chega a 49%. O acesso pode ter aumentado, mas a conversão em formação efetiva não acompanhou esse ritmo.

Desafios estruturais

O Brasil investe cerca de 4,4% do PIB em educação, próximo ao patamar da OCDE. O gasto anual por estudante, em torno de US$ 15.600, está alinhado com a média internacional. O problema está na qualidade e eficiência.

A expansão do ensino superior ocorreu principalmente pelo setor privado e pela EaD. Hoje, 88% das instituições são privadas e concentram 78% das matrículas, equivalentes a 9,4 milhões de estudantes, segundo o Censo de 2024.

O EaD ampliou o acesso, mas concentrou altas taxas de evasão, acima de 40%. A relação aluno-professor também é desigual: em públicas há cerca de 10 estudantes por docente, já em privadas chegam a 62, muito acima da média internacional de 18.

Essa diferença vai além de números: revela modelos pedagógicos distintos e aponta falhas na mediação educacional, principalmente nos primeiros anos, período crítico para retenção.

Mesmo no setor público, com melhor relação professor-aluno, não há garantia de qualidade. O efeito é a necessidade de maior acompanhamento e suporte pedagógico para permanência dos alunos.

Medidas e perspectivas

O Decreto 12.456/2025 estabelece um novo marco regulatório para o ensino a distância, em fase de implementação. Ainda não há metodologia de avaliação plenamente definida, gerando dúvidas sobre eficácia futura.

Analistas destacam que a qualidade da formação precisa acompanhar o acesso. Sem melhoria pedagógica, o crescimento de matrículas pode continuar sem converter ensino em produtividade.

O cenário sugere que, para ampliar impactos, é necessário fortalecer pedagogia, tutoria e monitoramento de desempenho, especialmente nos primeiros ciclos, onde a evasão é mais expressiva.

Especialistas ressaltam que o desafio não é apenas ampliar vagas, mas assegurar formação produtiva, capaz de incentivar inovação, empreendedorismo e desenvolvimento tecnológico no Brasil.

César Silva, diretor-presidente da Fundação de Apoio à Tecnologia, reforça a necessidade de alinhamento entre política educacional e demanda do mercado, para que o investimento gere resultados concretos.

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