- Professores universitários, estudantes e sindicalistas ocuparam as principais ruas de Buenos Aires e de várias cidades da Argentina, em protesto contra o sucateamento da universidade pública e os cortes orçamentários.
- Organizados, os manifestantes estimam cerca de 1,5 milhão de pessoas nas mobilizações em todo o país, que coincidiram com mudanças no orçamento do governo.
- O governo de Javier Milei-classifica os atos como oposição política e aponta suposta perseguição política, citando um “ato político” da oposição e o escândalo envolvendo Manuel Adorni.
- Um dos focos das reivindicações é a aplicação da Lei de Financiamento Universitário, alegando que o texto, já aprovado repetidamente pela Câmara e pelo Senado, não vem sendo implementado há 201 dias.
- Dados de impacto citados pelos organizadores: mais de 10 mil professores e funcionários de universidades públicas pediram demissão; em alguns colégios da UBA, demissões chegaram a 130 docentes no Nacional Buenos Aires e 93 no Carlos Pellegrini.
Em mais um ato de pressão contra as políticas de Javier Milei, professores universitários, estudantes e sindicalistas ocuparam as principais ruas de Buenos Aires para cobrar o fim do sucateamento da universidade pública e objection aos cortes orçamentários. A mobilização ocorreu na capital argentina e se estendeu a outras regiões, com a participação estimada em mais de 1,5 milhão de pessoas, segundo os organizadores. O governo classificou o ato como político, de oposição.
A manifestação percorreu a Avenida 9 de Julho até a Plaza de Mayo e contou com a participação de docentes, funcionários e alunos da Universidad de Buenos Aires (UBA) e de outras instituições nacionais. O movimento também ressaltou impactos dos cortes nos serviços de saúde, ciência e educação, em meio a alterações orçamentárias anunciadas no fim de semana anterior.
Segundo organizadores, entre as reivindicações estão a aplicação plena da Lei de Financiamento Universitário, aprovada pela Câmara e pelo Senado, e decisões judiciais que obrigam o governo a executá-la. A subsecretária Ileana Celotto acrescentou que o não cumprimento em 201 dias compromete funcionamento de hospitais universitários e centros de pesquisa, incluindo tratamento de câncer.
Em diversas cidades do país, como Bahia Blanca, a 650 km de Buenos Aires, a mobilização ganhou peso com a participação de docentes e trabalhadores. O coordenador local, Juan Cappa, afirmou que mais de um milhão de pessoas seria esperada no conjunto do país. Ele citou quedas salariais e de bolsas de estudo desde a posse de Milei, além de cortes na educação e na ciência.
Demandas
A pauta inclui defesa da universidade pública, aumento de salários e bolsas, além de reivindicações por melhorias no sistema de saúde e pela defesa dos direitos trabalhistas. Os organizadores também mencionaram ações contra políticas que consideram recessivas, com impacto no emprego e na atividade econômica de pequenas empresas.
Lideranças destacaram ainda a necessidade de resposta do governo a demandas sociais e trabalhistas, associando o movimento à defesa de serviços públicos de qualidade. O ato buscou ampliar o alcance de reivindicações para além do setor universitário, segundo os organizadores.
Eduardo Belliboni, do movimento Polo Obrero, disse que a marcha ocupou mais de 15 quarteirões da Avenida Mayo, até a Casa Rosada, e que grandes concentrações dificultam a repressão policial. Afirmou que a mobilização visa pressionar o governo a dialogar e incluir demandas do conjunto da população.
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