- A diretoria da Bard College votou para encerrar o mandato de 51 anos de Leon Botstein como presidente, após a apresentação de uma avaliação independente sobre seus vínculos com Jeffrey Epstein.
- Botstein anunciou a aposentadoria no dia em que os resultados da investigação foram divulgados.
- O voto gerou cisão entre conselheiros, com um membro recém nomeado classificando a decisão como “comprometida”.
- O presidente do conselho, James Chambers, e mais dois membros anunciaram sua renúncia; as circunstâncias exatas não foram detalhadas.
- A avaliação da WilmerHale apontou que, embora nada tenha sido considerado ilegal, Botstein não foi totalmente preciso sobre o relacionamento com Epstein nem divulgou taxas recebidas; há dúvidas sobre risco à reputação da Bard e sobre comunicação interna.
O conselho de Bard College decidiu encerrar o mandato de 51 anos do presidente Leon Botstein, após apresentar aos membros as conclusões de uma revisão independente sobre seus vínculos com Jeffrey Epstein. A aposentadoria foi anunciada no dia em que o relatório foi tornato público, em 1º de maio.
A decisão ocorreu embora Botstein tenha apresentado a saída como aposentadoria planejada, vinculada ao fechamento de uma campanha de endowment. A votação interna do conselho, realizada perto de 30 de abril, gerou discordâncias entre novos e antigos membros, conforme mensagens obtidas pelo Guardian.
Diversos movimentos internos e mudanças no conselho acentuaram o desgaste. Um membro recentemente nomeado criticou o processo, classificando-o como comprometido. O então presidente, James Chambers, e outros dois integrantes também deixaram seus cargos, sem detalhes sobre as circunstâncias.
Mudanças no quadro e desdobramentos
A comunidade acadêmica acompanha a saída de membros de longa data do conselho, como o presidente chair, além de um professor de longa data que expressou apreensões sobre a possibilidade de Botstein prolongar a liderança, mesmo com a conclusão do processo.
Outra linha de fora surgiu com a divulgação de uma carta de um ex-aluno à promotoria estadual de Nova York, solicitando investigação sobre o conselho. O texto acusa o órgão de ter priorizado Botstein em detrimento de estudantes, funcionários e da comunidade.
A Bard não comentou diretamente a respeito da votação nem da carta encaminhada à promotoria. Em resposta, a instituição reiterou declarações anteriores sobre o legado de Botstein e sobre a avaliação independente conduzida pela WilmerHale, destacando o foco no futuro da universidade.
As consequências da decisão incluem a saída de alguns diretores experientes. Entre eles, o chair James Chambers, o advogado trabalhista Mark Brossman e o empreendedor Mostafiz ShahMohammed, que havia feito uma doação expressiva à instituição. A Bard afirmou que mudanças no conselho são comuns conforme termos chegam ao fim.
Sobre a revisão e as ligações com Epstein
A WilmerHale concluiu que nada em relação a Botstein com Epstein foi ilegal, mas apontou que o presidente não foi totalmente preciso ao descrever seu relacionamento com Epstein, nem sobre riscos para a reputação da Bard. A firma também indicou que Botstein recebeu honorários de uma entidade ligada a Epstein sem divulgação e não revelou esses pagamentos.
Botstein já havia negado ser amigo de Epstein e afirmou não ter testemunhado nada inadequado. O documento da firma ressaltou que Botstein não percebeu totalmente o risco potencial para a Bard ao buscar doações de Epstein e por vezes não informou de todos os vínculos financeiros envolvidos.
O Guardian apurou ainda que houve divergências entre membros do conselho sobre a forma de condução da votação e a presença de consultores durante as deliberações. A Bard disse manter-se unida em suas obrigações institucionais, enfatizando a solidez financeira da instituição.
Repercussões institucionais
Um professor da casa comentou sobre as mudanças na composição do conselho e o impacto sobre a confiança da comunidade acadêmica, destacando a necessidade de cuidado com estudantes e com a missão da Bard. O caso continua a gerar cobrança por transparência e responsabilidade fiduciária.
A Bard afirmou que seguirá avançando com seus planos estratégicos, incluindo esforços para fortalecer a posição da instituição no ensino superior. A imprensa apurou que uma nova liderança poderá surgir durante essa transição, com foco no futuro da universidade.
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