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Programas de prevenção que afastam jovens do crime com resultados

Programas que fortalecem vínculo, oferecem bolsa e oportunidades de emprego reduzem reincidência entre jovens após medidas socioeducativas

Jovens participam de atividade do POD Socioeducativo, política pública consolidada no Rio Grande do Sul que registra 92% de não reincidência. (Foto: Kimberly Fotografias/Divulgação Ciee-RS)
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  • Programa de Oportunidades e Direitos (POD) Socioeducativo no Rio Grande do Sul acompanha jovens após a medida socioeducativa, com bolsa de R$ 700 por até 18 meses, visando reduzir reincidência; 92% dos participantes não voltam a cometer atos infracionais.
  • O POD é executado pelo Centro de Integração Empresa-Escola do Rio Grande do Sul (Ciee-RS) desde 2018, com orçamento anual de R$ 3,5 milhões para atender 348 jovens em todo o estado; cerca de setenta por cento aceitam participar.
  • A atuação enfatiza vínculo entre jovens e oficineiros, oferecendo cursos e encaminhamentos para estágio e emprego; o sucesso depende do relacionamento e da escuta às necessidades dos jovens.
  • Em Belo Horizonte, o programa “Fica vivo!” atua antes do envolvimento com o crime, com bolsas de R$ 1.320 e 370 oficinas, atendeu 137.279 jovens em 2025 e registrou queda de 40% nos homicídios na faixa atendida.
  • Observa-se que esses programas se tornaram políticas públicas em alguns estados e dependem de continuidade entre governos; a essência é combinar vínculo humano, oportunidades econômicas e acolhimento.

A prevenção que funciona não é paternalista. Jovens entram em caminhos de risco, mas programas articulados entre governo, sociedade e educação apresentam resultados expressivos. Um caso citado pela Gazeta do Povo mostra como o vínculo humano pode mudar trajetórias.

A história de Júlia, jovem de Porto Alegre, ilustra o efeito dessas políticas. A adolescente de 16 anos passou por internação socioeducativa em 2024 e hoje trabalha com carteira assinada no Centro de Integração Empresa-Escola do Rio Grande do Sul (Ciee-RS). O nome é fictício, mas a experiência é real.

O enfoque dos programas é claro: acolher o jovem pelaquilo que ele é, não apenas pelo que ele faz. A prática tem ganhado visibilidade em diferentes estados e metodologias, com o objetivo de reduzir a criminalidade entre a população jovem e manter caminhos de futuro na educação, na segurança pública e na cidadania.

Vínculo que reduz a reincidência

O Programa de Oportunidades e Direitos (POD) Socioeducativo atua no período de maior risco de reincidência, após a saída da Fundação de Atendimento Socio-Educativo do Rio Grande do Sul. Implementado pelo Ciee-RS desde 2018, recebe jovens que concordam voluntariamente em participar, com adesão de cerca de 70%.

A equipe multidisciplinar acompanha os jovens por até 18 meses, oferecendo apoio financeiro de R$ 700 mensais, cursos de informática, culinária, programação e educação financeira, além de encaminhamentos para estágios e empregos. O orçamento anual é de aproximadamente R$ 3,5 milhões, atendendo 348 jovens no estado.

Dados operacionais de março de 2025 indicam que 92% dos participantes não voltam a cometer atos infracionais. Júlia figura entre os casos de sucesso relatados pela coordenação do programa, ressaltando o papel do vínculo com as profissionais e oficinas no processo de mudanças.

A responsável pela coordenação do POD no Ciee-RS destaca que a reincidência não se combate apenas com punição, mas com oportunidades e perspectivas. A sustentabilidade do programa, afirmam executivos, depende da continuidade entre governos e da percepção de potencial nos jovens.

Modelos semelhantes em outros estados

Em Minas Gerais, o programa Fica vivo!, voltado a jovens de 12 a 24 anos em territórios com elevada influência do crime organizado, atua de forma semelhante, porém em fase prévio à possível entrada do jovem no crime. Institucionalizado por lei em 2019, o programa atendeu 137.279 jovens em 2025, com crescimento de 20% em dois anos.

O modelo mineiro centraliza ações em oficineiros, lideranças locais contratadas como microempreendedores individuais para conduzir cerca de 370 oficinas em todo o estado. A bolsa paga por mês é de R$ 1.320, com atividades que vão desde futebol até grafite, buscando diálogo e pertencimento. A secretária de Justiça e Segurança Pública de MG ressalta que o lanche funciona como espaço de intervenção.

A coordenadora de prevenção social de Minas aponta que o foco está nos jovens que já romperam vínculos com escola, família ou serviços sociais. O custo anual de cada unidade fica entre R$ 700 mil e R$ 800 mil, e a expansão encontra restrições orçamentárias, apesar da demanda constante.

Além de Porto Alegre e Belo Horizonte, o texto também cita iniciativas no Ceará, com funcionamento mais curto, e outros estados com projetos isolados que não possuem continuidade entre governos. A leitura unificada é de que o vínculo humano, a oferta de oportunidades e a sensação de pertencimento criam caminhos alternativos para jovens em situação de vulnerabilidade.

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