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UFJF e UFMG se desculpam por cadáveres usados em aulas

UFJF e UFMG fazem retratação pública pelo uso de cadáveres de hospital psiquiátrico em aulas de anatomia, com ações de memória, educação em direitos humanos e memorial

FOTO DE ARQUIVO - Pavilhão do Hospital Colônia de Barbacena. Foto: Arquivo Público Mineiro/Divulgação
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  • UFJF publicou carta aberta de retratação pela conivência com a desumanização de pacientes de hospitais psiquiátricos, citando o Hospital Colônia de Barbacena.
  • A universidade informou que, entre 1962 e 1971, foram recebidos 169 corpos para aulas de anatomia, e anunciou ações de reparação simbólica, como memorial e pesquisas sobre a relação com Barbacena.
  • O texto destaca o contexto histórico de segregação, violência e estigmas associados à “loucura” e a categorias sociais marginalizadas.
  • A UFMG também fez publicamente um pedido de desculpas, sinalizando ações de memória, restauração de registros de cadáveres e inclusão do tema em disciplinas de anatomia.
  • Sobre doação de corpos, o UFJF manteve o Programa Sempre Vivo desde 2010, com doações voluntárias; a UFMG já opera um programa desde 1999, considerado ético e legal.

Pelo menos duas universidades públicas se retrataram por ter usado cadáveres de pacientes de hospitais psiquiátricos em cursos de saúde. UFJF divulgou nota nesta segunda-feira, 18, seguindo o que já havia feito a UFMG, no mês anterior. A retratação aborda o uso de corpos em aulas de anatomia.

A UFJF destaca o que chama de conivência em momentos sensíveis da história da saúde pública, citando a segregação social e a violência contra quem não atendia ao padrão. A instituição aponta relação com o Hospital Colônia de Barbacena como referência dessa marginalização.

Segundo a UFJF, mais de 60 mil pessoas teriam morrido no Hospital Colônia no século XX, entre elas indigentes, conforme o livro Holocausto Brasileiro. Além disso, 1.853 corpos teriam sido vendidos para escolas de saúde para uso em anatomia.

Entre 1962 e 1971, o Instituto de Ciências Biológicas recebeu 169 corpos para estudos de anatomia, informou a UFJF. Como reparação simbólica, a universidade anunciará ações educativas sobre direitos humanos e saúde mental e busca apoio para um memorial.

Desde 2010, o Departamento de Anatomia mantém o Programa de Doação Voluntária de Corpos – Sempre Vivo, com doações consentidas. A UFJF também realizará pesquisas documentais sobre a ligação com o Hospital de Barbacena.

Ações de reparação e memória

A UFMG também divulgou pedido de desculpas pela participação em atos ligados ao Hospital Colônia. A universidade disse que assumiu responsabilidade e anunciou ações de memória com grupos da luta antimanicomial.

A UFMG informou a criação de um livro histórico de registro de cadáveres e a inclusão do tema em disciplinas de anatomia da Faculdade de Medicina. A instituição reforçou que, desde 1999, mantém programa de doação de corpos voluntário e ético.

A universidade ressalvou que as doações são feitas de forma voluntária, com conformidade às normas legais e padrões internacionais. O objetivo é assegurar práticas respeitosas e transparentes no ensino.

A retratação das duas instituições integra um movimento universitário mais amplo de reconhecer o passado. A proposta é promover educação sobre saúde mental e reduzir estigmas, com memória e reparação institucional.

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