- Rogério Ratão, nascido em São Paulo em 1972, perdeu a visão aos 18 anos devido a um descolamento de retina, o que influenciou sua produção artística voltada ao tátil e à estética modernista.
- O artista trabalha com cerâmica, bronze e uso do torno para criar esculturas que podem ser percebidas pelo toque, buscando simplicidade e geometrização da forma.
- O projeto Sentir para Conhecer, na Faculdade de Odontologia da USP, transformou esculturas da universidade em réplicas táteis, ampliando o acesso para pessoas com deficiência visual; a iniciativa envolveu docentes de várias unidades da USP e da Unifesp.
- Entre suas obras destacam-se as séries Sinus, Geo-Tipia e Abstrações Cerâmicas, que exploram curvas, pressões, luz, sombra e vazios, com foco na percepção tátil e visual.
- Rogério Ratão tem colaboração de longa data com a USP, incluindo atuação como professor no MAM-SP no projeto Igual Diferente (arte para pessoas com e sem deficiência) e convite para criar uma escultura permanente em um jardim da FAU.
Rogério Ratão, artista plástico nascido em São Paulo em 1972, venceu a cegueira aos 18 anos por descolamento de retina, o que o levou a transformar o tato em eixo de criação. Hoje, suas esculturas apresentam estética modernista, com foco na percepção tátil.
A trajetória dele é marcada pela fusão entre cerâmica, bronze e uso do torno, técnica que utiliza para erguer formas que depois recebem intervenções manuais. As peças privilegiam a geometria e a simplicidade, pensadas para serem lidas pelo toque.
Recentemente, o trabalho ganhou visibilidade na USP por meio do projeto Sentir para Conhecer, na Faculdade de Odontologia, com réplicas táteis de esculturas da universidade. A iniciativa ampliou o acesso para pessoas com deficiência visual.
O projeto é coordenado pelo professor Paulo Capel Cardoso, da FO, e pela professora Fabiana Lopes de Oliveira, da FAU. A mostra passou pelo prédio da Reitoria e pela FO, envolvendo também docentes de outras unidades.
Entre as obras de Ratão, destacam-se a Série Sinus, inspirada na curvatura e no movimento humano; Geo-Tipia, com prensagem de argila sobre espuma; e Abstrações Cerâmicas, com perfurações que exploram luz, sombra e movimento.
A colaboração com a USP não é nova. Ratão atuou como professor no MAM-SP entre 2011 e 2024, no projeto Igual Diferente, que integra pessoas com e sem deficiência em artes. Também há convite para instalar escultura permanente na FAU.
Para o artista, a presença de suas obras no ambiente universitário expressa uma postura sobre a capacidade criativa de pessoas com deficiência, destacando que cegueira não impede produção artística nem pensamento crítico.
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