- Greve das três estaduais paulistas — USP, Unesp e Unicamp — mobilizou cerca de cinco mil pessoas, que fizeram marcha até o Palácio dos Bandeirantes nesta quarta-feira (20).
- Dany Oliveira, diretora do DCE Livre e da UNE pelo Movimento Correnteza, apareceu como principal porta-voz da mobilização, que começou por permanência estudantil e ganhou contornos políticos contra o governador Tarcísio de Freitas.
- Os estudantes mantiveram uma reunião com representantes da Casa Civil, mas não houve acordo sobre as reivindicações nem sobre a atuação policial que expulsou invasores da reitoria da USP no dia 10.
- O movimento ganhou visibilidade política, com a participação de figuras públicas e partidos de esquerda e de direita, e inclui críticas a privatizações e a políticas para mulheres, além de pautas por melhorias no auxílio-permanência.
- O governo ressalta investimentos nas universidades e acompanhamento da situação, enquanto as reitorias ressaltam acordos em negociação com as áreas estudantis; a greve segue com nova rodada de negociação.
Estudantes de universidades estaduais paulistas e oposição se uniram para cobrar pautas que vão desde permanência estudantil a críticas à gestão do governador Tarcísio de Freitas. A mobilização ganhou tom político nas semanas que antecedem as eleições.
Seis mil pessoas participaram do ato, que reuniu estudantes da USP, Unesp e Unicamp. A marcha saiu do Largo da Batata, em Pinheiros, e seguiu até o Palácio dos Bandeirantes. A Polícia Militar acompanhou a passagem dos manifestantes pela capital.
Ao chegar ao entorno do palácio, o grupo afirmou não sair do local sem audiência com o governador. A reunião ocorreu à noite com representantes da Casa Civil, na entrada do prédio cercado por cordões de segurança. Não houve acordo imediato ou resposta sobre incidentes anteriores.
A origem da greve está na USP, onde 105 cursos aprovaram paralisação em 15 de abril após uma minuta que os estudantes interpretaram como restrição à autonomia dos espaços. Ao longo das semanas, pautas como auxílio-permanência e restaurantes universitários foram associadas a reivindicações políticas contra a gestão estadual.
As reivindicações originais evoluíram para críticas a privatizações de Sabesp, do metrô e de rodovias, além de demandas por políticas de proteção às mulheres e contra a violência policial. A mobilização se espalhou para o interior com 17 ônibus saindo de campi da Unesp, sendo revistados pela PM.
Partidos e sindicatos entram em cena na greve das universidades em SP
Ao longo das semanas, políticos de esquerda e de outros quadrantes passaram pelo Largo São Francisco. Parlamentares como José Genoíno (PT) e Eduardo Suplicy (PT) participaram de rodas de conversa sobre repressão estatal e renda básica de cidadania. Eventos conjuntos ocorreram em palcos e espaços acadêmicos com participação de organizações políticas.
A presença de figuras do União Brasil também chamou atenção. O ex-deputado Douglas Garcia participou do ato, e vereadores da sigla estiveram em edições anteriores. Dany Oliveira, porta-voz da greve e líder do DCE Livre, também atua como diretora da UNE pelo Movimento Correnteza, braço estudantil da UP.
A atuação do Correnteza, criado em 2017, envolve ações de mobilização permanente, como invasões de espaços e assembleias convocadas por megafone. Movimenta controvérsias entre setores da esquerda que acusam a entidade de instrumentalizar entidades estudantis para promover agenda partidária.
A Adusp, associação que representa docentes da USP, declarou que a paralisação tem objetivo eminentemente institucional, negando qualquer dimensão eleitoral, enquanto destaca a pressão do Cruesp pela continuidade dos serviços. A entidade aponta queda no poder de compra de docentes desde 2012.
Sem acordo, greve da USP segue após ato no Palácio dos Bandeirantes
Segundo integrantes do DCE Livre, a greve expressa uma visão de precarização promovida pelo governo Tarcísio de Freitas. A reunião com quatro representantes da USP, um da Unesp, um da Unicamp, dois advogados e a deputada Mônica Seixas (PSOL) não resultou em compromisso de novo encontro com o Executivo.
Apoio interno à greve persiste. Malena Rojas, diretora do DCE da Unicamp, classificou a posição do governo como intransigente e vexatória. A paralisação deve continuar com novas negociações junto às reitorias.
Governo cita investimento recorde e evita responder sobre motivação eleitoral
A discussão envolve o financiamento das três universidades, que recebem parcela fixa do ICMS definida por decreto desde 1989 (USP 5%, Unicamp 2,2%, Unesp 2,34%). A reforma tributária de 2024 prevê substituir o ICMS pelo IBS até 2033, o que pode reduzir transferências sem emenda constitucional.
As reitorias dizem que a crise é de financiamento. A USP não divulgou nota sobre o ato, mas informou que criou grupos de trabalho para permanência estudantil e bolsas. A Unicamp informou a realização de uma primeira reunião de negociação com 23 representantes discentes, com nova rodada prevista.
A Unesp ressaltou o orçamento de permanência estudantil para 2026, de 110,7 milhões de reais, considerado recorde. O governo estadual destacou ter repassado mais de 64,3 bilhões de reais às instituições desde 2023, 28,9% acima do que foi investido nos quatro anos anteriores, sem comentar motivações eleitorais da greve. A PM limitou-se a afirmar que a operação visa manter a segurança pública e o direito de ir e vir.
Entre na conversa da comunidade