- Quase um terço dos reitores da Universities UK dizem que cortariam o apoio de hardship para alunos em situação de vulnerabilidade se o financiamento não melhorar nos próximos três anos; mais da metade admite reduzir ações de acesso e alcance a grupos desfavorecidos.
- Mais de dois terços estão dispostos a cortar vagas de trabalho por desligamento compulsório e quase noventa por cento estudam congelamento de contratações ou demissões voluntárias.
- Além disso, os cortes podem atingir pesquisa, edifícios e manutenção, e muitos cogitam fusões ou parcerias entre universidades.
- Especialistas apontam que reduzir o apoio a estudantes pode tornar a universidade inacessível para quem mais precisa, especialmente diante do aumento do custo de vida.
- Organizações sindicais ressaltam que fusões não resolvem a crise e cobram proteção aos empregos e prioridade à manutenção de estudantes.
O risco de cortes no apoio a estudantes com dificuldades financeiras voltou a aparecer entre as universidades do Reino Unido. Uma pesquisa entre reitores revelou que quase um terço pode reduzir a ajuda de hardship funds nos próximos três anos, se o aperto fiscal persistir. A sondagem também indica que mais da metade pretende reduzir atividades de alcance a grupos desfavorecidos, além de congelar contratações ou optar por demissões voluntárias.
A pesquisa foi realizada pela Universities UK (UUK) de forma anônima, com participação de dirigentes das instituições. O estudo aponta que mais de dois terços dos líderes estão dispostos a cortar empregos por meio de demissão compulsória caso a situação financeira se agrave. Quase 90% avaliaram medidas como congelamento de vagas ou demissões voluntárias.
Segundo a executiva-chefe da UUK, é essencial discutir como os cursos são financiados e se a participação do governo corresponde ao valor que as universidades proporcionam à sociedade. As informações sugerem um cenário de cortes generalizados caso os custos permaneçam elevados.
Especialistas alertam que qualquer redução no suporte aos estudantes pode tornar o ensino menos acessível para quem mais precisa. O universo de alunos que trabalha meio período para suprir despesas tem recebido impactos crescentes com a inflação e o aumento de custos.
Quase um terço dos reitores admite reduzir o apoio financeiro aos estudantes atuais, enquanto mais da metade considera reduzir ações de acesso e de alcance a jovens sem condições de ingresso fácil ao ensino superior. A preocupação é com a desigualdade no acesso à educação.
Analistas lembram que cortes em programas de participação e outreach podem ampliar as diferenças entre estudantes de menor e maior renda. A redução de iniciativas de inclusão é vista como risco à mobilidade social de longo prazo.
O estudo também indica que, diante de condições financeiras ruins, as universidades podem buscar fusões ou parcerias. Recentemente, King’s College London informou a absorção da Cranfield University, sinalizando maior movimento de consolidação no setor.
Representantes sindicais destacam que fusões não resolvem a crise estrutural e pedem prioridade à proteção de empregos e ao fortalecimento da capacidade institucional. A defesa de apoio contínuo a estudantes é citada como crucial para a manutenção da liderança acadêmica do país.
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