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Estudo aponta avanços da educação infantil em linguagem e matemática

Estudo aponta avanços na linguagem e em menor grau na matemática na educação infantil; aponta desafios de financiamento, infraestrutura e equidade

Espaço de Desenvolvimento Infantil(EDI) Claudio Cavalcanti, em Botafogo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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  • Leitura e linguagem são mais desenvolvidas que matemática: 48% dos municípios adotam estratégias de letramento matemático, enquanto 76% trabalham práticas de linguagem e cultura escrita; 20% não possuem iniciativa na primeira infância.
  • Participação ampla: o estudo envolveu 2.712 redes municipais de ensino (49% do total do país), com cobertura regional variando (aproximadamente metade dos municípios de cada região, exceto Norte e Sudeste).
  • Apoio e cooperação entre esferas: 67% das redes recebem apoio da Secretaria Estadual de Educação; um terço não recebe esse suporte, apontando necessidades de financiamento, formação e materiais didáticos.
  • Currículo e organização pedagógica: 63% seguem a matriz curricular estadual na educação infantil; 34% adotam currículo próprio; 78% adaptaram o Projeto Político-Pedagógico às diretrizes; 37% relatam dificuldades de adequação à BNCC.
  • Transição, infraestrutura e inclusão: 17% não planejam a transição para o ensino fundamental e 13% não adotam estratégias de transição; infraestrutura inadequada aparece como desafio citado por 23%; 15% citam inclusão de crianças com deficiência ou neurodivergências.

O Itaú Social, em parceria com a Undime, divulgou um estudo que aponta avanços da educação infantil em linguagem e, em menor medida, em matemática nas redes municipais. O diagnóstico, concluído no fim do ano passado, traz indicadores sobre práticas, gargalos e financiamentos. A divulgação ocorreu nesta segunda-feira.

A pesquisa abrangeu 2.712 redes municipais, cerca de metade do total nacional. Em cada região houve cobertura relevante, com destaques para o Norte e o Sudeste. O levantamento evidencia que 76% das redes trabalham com linguagem escrita, enquanto 48% atuam com letramento matemático.

Entre os achados, 20% das secretarias dizem não possuir iniciativas de letramento na primeira infância. Além disso, 23% das prefeituras não sabem se unidades conveniadas adotam as mesmas estratégias. As conveniadas são parceiras contratadas para ampliar vagas e atendimento local.

Rotina consolidada

  • 62% das redes apoiam atividades com a natureza e o meio ambiente.
  • 58% promovem formação continuada voltada ao desenvolvimento infantil.
  • 56% atuam para assegurar acesso e permanência de estudantes.

Luiz Miguel Martins Garcia, presidente da Undime, reforça a importância da primeira infância para toda a trajetória escolar. Ele destaca a necessidade de planejar políticas públicas que considerem desigualdades territoriais e garantam educação de qualidade.

Regime de colaboração

67% das redes recebem apoio da secretaria estadual para educação infantil, principalmente em formações e apoio técnico. Um terço não recebe esse suporte. As maiores necessidades apontadas são apoio financeiro, capacitações e materiais didáticos.

Sonia Dias, gerente do Itaú Social, aponta que é preciso ampliar a coordenação entre União, estados e municípios. Ela cita o Fundeb e o Programa Dinheiro Direto na Escola como exemplos de mecanismos públicos de apoio, ressaltando a importância de assistência técnica e orientação no uso dos recursos.

Organização pedagógica

63% adotam a matriz curricular estadual na etapa infantil. 34% utilizam currículo próprio. 2% não possuem currículo para educação infantil. Na pré-escola, 78% ajustaram o PPP às diretrizes vigentes. Ainda há 37% com dificuldades de alinhamento entre PPP e BNCC.

Sonia Dias ressalta que todas as unidades de um município devem seguir o PPP. Ela enfatiza a supervisão da secretaria na aplicação das diretrizes.

Transição para o ensino fundamental

O estudo aponta fragilidade na transição para o 1º ano. 17% das redes não realizam planejamento articulado entre etapas e 13% não adotam estratégias de transição, como portfólios de acompanhamento. A continuidade pedagógica é vista como essencial para reduzir atrasos.

Dias explica que a falta de continuidade pode gerar resistência escolar e dificultar a alfabetização, ressaltando que transições cuidadosas facilitam o percurso educacional da criança.

Infraestrutura deficitária

A principal dificuldade relatada pelas redes é a infraestrutura física inadequada, citada por 23%. Repasses para manutenção, falta de recursos, aquisição de materiais e expansão de vagas são apontados como entraves.

Inclusão e diversidade

15% dos gestores destacam dificuldade na inclusão de crianças com deficiência ou neurodivergências. O estudo sugere que ampliar o acesso deve incluir acessibilidade, materiais adaptados e práticas inclusivas no cotidiano.

Para populações historicamente vulnerabilizadas, apenas 28% das secretarias conseguem implementar propostas voltadas a educação do campo, indígena e quilombola.

Formação continuada

Entre os maiores desafios estão a falta de formação adequada, de equipes para ministrá-la e de adesão dos profissionais. Temáticas mensais costumam abranger o âmbito pedagógico, enquanto inclusão e diversidade são trabalhadas semestralmente.

20% das redes não oferecem formação a unidades conveniadas ou oferecem formação mais curta nelas. Sonia Dias defende políticas que fortaleçam a formação continuada, incluindo as redes conveniadas, e o aprimoramento da formação inicial docente.

Expansão do tempo integral

O estudo aponta que políticas nacionais devem ampliar a qualificação dos ambientes, não apenas abrir vagas. Reconhecimento de que novos incentivos devem priorizar melhoria de infraestrutura e qualidade pedagógica.

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