- Alia, de 19 anos, viajou de Daykundi a Cabul para fugir de um casamento forçado e se matriculou em um curso de inglês, uma opção limitada no Afeganistão dominado pelo Talebã.
- Anos após a proibição de mulheres estudarem, meninas enfrentam educação restrita a cursos pagos e madrassas, sem substituição à educação formal, levando muitas a casar cedo.
- Histórias de Shama e Nora ilustram o impacto: mães pressionam filhas a casar para evitar estigmas, enquanto sonhos educacionais ficam comprometidos e mulheres se sentem “presas”.
- O Talebã mantém a posição de abrir escolas apenas sob condições de segurança, com divisões internas e promessas contraditórias sobre educação feminina.
- Organizações internacionais alertam que, se a proibição continuar, milhões de meninas perderão a educação até 2030, enquanto as mulheres enfrentam exclusão da vida pública.
A luta de Alia para fugir de um casamento forçado no Afeganistão dominado pelo Talibã ganhou destaque após ela viajar de Daykundi a Cabul para buscar autonomia. Aos 19 anos, ela ingressou num curso de inglês na capital, tentando preservar a chance de estudar e trabalhar.
A BBC ouviu Alia (nome alterado) contando que atravessou o país sem ser impedida por postos de controle, arriscando ser flagrada por inspetores que restringem viagens femininas sem a companhia de um par masculino. O objetivo real era escapar do casamento.
Os cursos privados de curta duração aparecem como únicas opções educacionais para meninas após a escola primária, já que a educação formal permanece suspensa para mulheres acima de 12 anos desde 2021. Madrassas religiosas completam o quadro limitado.
A proibição tem gerado danos latentes: segundo a ONU, se persistir até 2030, mais de dois milhões de meninas ficarão sem educação além da escola primária. O impacto também se reflete na vida profissional restrita.
Shama, outra jovem citada pela reportagem, tinha 18 anos quando foi forçada a casar. Hoje é mãe de duas meninas e não alcançou o sonho de cursar medicina, cenário comum entre muitas famílias vulneráveis.
Kamila, mãe de Shama, trabalhava como faxineira para financiar a educação das filhas. Ela diz ter temido que o Talibã questionasse o status de solteira da filha, mesmo desejando que ela estudasse e contribuísse com a sociedade.
A história de Nora, irmã de Shama, revela o medo de seguir o mesmo destino. Aos 18 anos, ela anseia por estudar, mas acredita que o ensino superior não será reaberto para mulheres sob o atual governo.
Desde 2021, as explicações oficiais variaram entre questões de segurança, falta de consenso entre líderes do Talibã e promessas de reabertura, sem data definida. O governo aponta números de apoio a mulheres em outras áreas.
Apesar das promessas, as mulheres relatam pressões para casar cedo e enfrentar uma sociedade que restringe direitos básicos. Para elas, a educação continua sendo a chave de oportunidades, ainda que incompleta.
Alia afirma manter a resistência, mesmo diante de propostas de casamento e do isolamento doméstico que marca a vida de muitas jovens afegãs. Sua visão é chegar à independência antes de pensar em casar.
Nora e Kamila reforçam o apelo por educação e liberdade de escolha. A BBC ressalta que as restrições ampliam o risco de casamentos forçados e menor escolaridade para meninas, agravando a desigualdade de gênero no país.
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