- A professora universitária Raina Brands, da University College London, relata como abortos espontâneos recorrentes afetaram sua carreira, produtividade e relações de trabalho.
- Ela explica que a cultura acadêmica valoriza publicar rapidamente, e que lacunas no currículo muitas vezes são interpretadas como falhas, não como consequência de saúde.
- Ao incluir os abortos espontâneos no currículo, Brands busca mostrar como o sistema e a falta de apoio institucional contribuíram para a queda de produtividade e para dificuldades de promoção.
- Ela aponta que locais de trabalho ainda foram desenhados pensando em corpos masculinos, sem considerar experiências como menstruar, abortos ou maternidade.
- A autora destaca a importância de políticas claras para funcionários incapacitados e relata que compartilhar sua experiência nas redes sociais abriu espaço para diálogos e reconhecimento de problemas estruturais.
Raina Brands, professora da Escola de Administração da University College London, relata à Newsweek como perdas gestacionais influenciaram sua carreira, produtividade e relação com estruturas de trabalho que não contemplam tais experiências. Ela argumenta que o ambiente acadêmico valoriza a produção constante de artigos revisados por pares, mesmo diante de desdobramentos pessoais dolorosos.
Ao compartilhar que abortos espontâneos ocorreram no início de sua carreira, Brands descreve pressões para manter rotina de aulas, atendimento a alunos e atividades de pesquisa, mesmo diante do sofrimento físico e emocional. Segundo ela, a lacuna de publicações resultante não reflete falta de competência, mas a falta de apoio institucional durante esse período.
A professora afirma que, ao incluir as perdas gestacionais em seu currículo, busca explicitar como episódios de saúde reprodutiva podem afetar a trajetória profissional. Ela aponta que muitos colegas não reconhecem esse tipo de interrupção como fato relevante, associando-o a uma narrativa de silêncio que permeia o tema.
Impacto na carreira e no ambiente de trabalho
Brands afirma que ambientes de trabalho foram desenhados favorecendo corpos masculinos, o que dificulta a adaptação de quem lida com menstruação, abortos espontâneos ou parto. A decisão de expor tais momentos no currículo visa evidenciar a conexão entre experiência pessoal e queda de produtividade.
Ela cita consequências práticas, como menor probabilidade de promoção, limitações para receber aumentos e bônus por desempenho. A dor física e emocional, segundo a narradora, compromete a capacidade de conduzir pesquisas que exijam foco e criatividade.
A profissional também comenta que ausências prolongadas podem exigir substituições e gerar custos organizacionais. Mesmo assim, aponta que políticas claras para incapacitação temporária são necessárias para reduzir impactos negativos para indivíduos e instituições.
Expansão do debate e diálogo com colegas
Brands mantém presença nas redes sociais, ampliando a visibilidade de experiências que afetam a produtividade. Ela afirma que esse movimento facilita conversas com colegas homens e mulheres, contribuindo para uma compreensão mais ampla do tema dentro da universidade.
A docente destaca que a percepção de perdas gestacionais não deve ser tratada como solução de problemas isolados, mas como parte de um padrão maior que afeta diversas pessoas. A experiência é apresentada como instrumento para discutir estruturas que limitam escolhas dentro do ambiente acadêmico.
A entrevistada reforça que a adoção de políticas institucionais claras pode reduzir desigualdades e promover ambientes de trabalho mais inclusivos para quem enfrenta questões de saúde reprodutiva. O objetivo é tornar explícitos os mecanismos que, hoje, freiam a continuidade de carreira.
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