- O Brasil atingiu IDHM de 0,805 em 2024, entrando pela primeira vez na faixa de desenvolvimento humano “muito alto”; em 2012 o índice era 0,744.
- A educação foi o principal motor da melhora, passando de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024, com o Bolsa Família citado como fator relevante.
- A melhoria educacional é mais evidente entre famílias de renda menor e negras, indicando avanço significativo nesse grupo a partir de 2016.
- O SUS mantém a saúde como subindicador mais forte, com 0,829 em 2012 e 0,860 em 2024; a renda avançou menos, de 0,732 para 0,760.
- Regiões metropolitanas puxam a média do país para cima, com várias áreas do Nordeste já apresentando IDH muito alto, como Natal, Aracaju e Grande Teresina.
O Brasil atingiu pela primeira vez a classificação de desenvolvimento humano muito alto. O índice IDHM chegou a 0,805 em 2024, segundo o Radar IDHM do Pnud Brasil, que avalia saúde, educação e renda. A série considera dados de 2012 a 2024.
A divulgação ocorreu nesta terça-feira, com base em dados do Pnud e de ações públicas, incluindo o Bolsa Família. A metodologia usa diferentes grupos, como raça e sexo, para medir o desenvolvimento nos municípios.
A coordenadora do PNUD Brasil, Betina Barbosa, destacou que a educação foi o principal impulsionador do IDHM nesse período. O ganho foi de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024, segundo a análise do programa.
Contribuição da educação
A melhoria educacional foi determinante para a subida do índice. Betina Barbosa lembra que o Bolsa Família, criado em 2003, ajudou a manter crianças na escola, com obrigatoriedade de frequência. Esse efeito ocorreu por volta de 2016, com ganhos marcantes em grupos de menor renda.
Impacto em grupos vulneráveis
Segundo a especialista, a educação avançou mais entre famílias negras de renda mais baixa, reduzindo lacunas históricas. Ela aponta que a inclusão da população negra e das mulheres é essencial para o desenvolvimento do país, destacando desafios ligados a raça e gênero.
Saúde e renda no radar
Entre os subíndices, a saúde já apresentava desempenho elevado em 2012, com 0,829, reflexo do SUS consolidado. Em 2024, o indicador de saúde chegou a 0,860, ainda com crescimento mais lento. A renda evoluiu de 0,732 para 0,760 no mesmo período, mantendo-se no patamar alto.
Regiões metropolitanas puxam o desempenho
Dados do Pnud indicam que as regiões metropolitanas sustentam a subida do IDHM, com destaque para cidades antes consideradas periféricas. A Grande Teresina, no Piauí, aparece com 0,809. Entre as nove áreas do Nordeste, sete já exibem IDH muito alto.
Casos exemplares e destaques regionais
Algumas áreas metropolitanas nordestinas lideram o ranking, como Natal (0,822), Aracaju (0,809), Recife (0,806) e Salvador (0,803). Outros destaques incluem João Pessoa (0,803) e São Luís (0,806).
Contexto de crise e recuperação
Entre 2020 e 2022, o país enfrentou a pandemia de covid-19, com queda temporária no ritmo de desenvolvimento. Em 2021, o IDHM ficou em 0,757. O painel ressalta a importância de respostas rápidas a crises sistêmicas para reduzir impactos na esperança de vida.
Fontes e método
O Radar IDHM utiliza dados da PNAD Contínua do IBGE, em parceria com a Fundação João Pinheiro, para calcular o índice. O relatório ressalta que o desempenho recente depende de políticas públicas contínuas em educação, saúde e renda.
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