- A engenharia está presente no cotidiano, mas continua abstrata para vestibulandos, que escolhem pela afinidade com exatas sem compreender a prática da profissão.
- No Sisu de 2026, foram ofertados 109 cursos com o nome engenharia; universidades adotam modelos de formação mais flexíveis para reduzir o descompasso entre teoria e atuação.
- A evasão e as transferências concentram-se nos dois primeiros anos, em parte por disciplina básica de matemática e física; a taxa de evasão em engenharia fica acima da média, segundo o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026.
- Uma das soluções é adiar a decisão de área e proporcionar vivências na universidade, como projetos, empresas juniores e equipes de competição, além de disciplinas básicas, para escolher a especialização no quarto período.
- Há procura por engenheiros no mercado financeiro por perfil analítico, com estágios em engenharia entre R$ 3.500 e R$ 4.000 e salários em bancos que podem chegar a cerca de R$ 6.000; empresas do setor tecnológico e de serviços também recrutam.
A engenharia continua presente no cotidiano, mas permanece abstrata para muitos vestibulandos. Mesmo com a água que chega à torneira e o asfalto que sustenta a cidade, o uso diário da área não é compreendido de forma prática pelos estudantes que ingressam no curso pela afinidade com exatas.
No Sisu de 2026, há 109 cursos com o nome engenharia. Universidades têm adotado modelos de formação mais flexíveis para reduzir o abismo entre teoria e prática, facilitando o engajamento dos alunos com a profissão.
Essa distância entre o conteúdo escolar e a atuação profissional é apontada por docentes como um dos principais motivos de evasão e de transfers entre cursos nos primeiros anos da graduação. A formação inicial costuma ser centrada em matemática e física, antes que o aluno perceba a aplicação real.
Desafios da formação e da adesão
A maior parte da evasão ocorre nos dois primeiros anos, período de disciplinas básicas que não sempre demonstram a relação com a prática. Dados do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026 indicam que, entre 2020 e 2024, 57,2% dos ingressantes em engenharia desistiram ou não concluíram.
Para docentes da Poli-USP, o distanciamento entre teoria e prática desanima o aluno, que percebe pouco teto de contato com atividades reais no início da graduação. Em alguns casos, o tronco comum em instituições como a UFMG oferece espaço para explorar várias áreas antes da escolha da especialização.
Caminhos para reduzir a evasão e orientar escolhas
Especialistas defendem vivência universitária mais ampla, com projetos, empresas juniores e equipes de competição desde o início. A ideia é retardar a decisão de área até que o estudante tenha experiência prática suficiente para uma escolha embasada.
Em universidades como a USP e a UFRJ, estrutura de semestres iniciais prioriza disciplinas básicas com conexão gradual a práticas profissionais, buscando manter o aluno engajado. A proposta é que a decisão de carreira seja mais amadurecida ao final do quarto período.
Mercado e caminhos alternativos
A formação ampla e o domínio de matemática ajudam a explicar movimentos de engenheiros para o mercado financeiro, onde salários e demanda por perfil analítico costumam atrair recém-formados. Estágios em bancos podem ter remunerações superiores aos praticados na engenharia. Mesmo assim, a indústria segue precisando de engenheiros para atividades de produção, gestão e serviços.
Para o Sindicato dos Engenheiros, a remuneração válida pelo piso profissional é um fator que pode desestimular estudantes quando não é respeitado pelas empresas. Entretanto, as feiras de carreira e parcerias com empresas ajudam a aproximar o estudante do mercado além do setor financeiro.
Panorama atual
Mesmo com desafios, a indústria e o setor de serviços absorvem profissionais formados em engenharia. As instituições têm intensificado ações de aproximação entre universidades e empresas para ampliar a visibilidade de diferentes atuações, além do caminho tradicional no banco ou em consultorias.
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